quarta-feira, 29 de agosto de 2007
Nós, tatus-bolas.
sábado, 11 de agosto de 2007
Mascate (11082007 DF)
Quase novas.
Vendo a venda que me vendava os olhos
Enquanto levavam minha alma vendida.
Vendo emoções usadas de todos os tipos e tamanhos,
Para todos os momentos da vida.
Vendo conhecimentos profundos e tacanhos,
E histórias que nunca seriam mesmo lidas.
Vendo emoções novas ainda na caixa,
Com nota fiscal, mas sem garantia.
Dou de brinde um pacotinho de sorrisos
Amarelados pela validade vencida.
Compre de mim a honestidade digna de ser sua,
A verdade despida, crua,
Mal assada, ou ao ponto.
- Verdade não é se for passada,
Apenas malfadada recordação,
Argumentação frustrada,
Como toda tentativa, em vão.
Vendo tudo isso, não nego.
Vendo, mas não entrego!

terça-feira, 17 de julho de 2007
Não fuja da vaia. (17072007DF)

quarta-feira, 20 de junho de 2007
16 de junho de 2007

E nunca é mesmo tarde para acordar para a vida.
Sei, é clichê.
Não podia deixar de ser.
Mas não são também a felicidade, o amor,
a dor e toda a sorte de sentimentos?
Quem da vida destes não ganha
Passa para a morte sem diferença mínima,
Como se muda de calçada:
Não muda nada,
Apenas o lado da terra pelo qual se caminha.
Não sei quanto a vocês,
Eu quero minha vida repleta de clichês.
quinta-feira, 7 de junho de 2007
Feliz cidade para todos. (07062007DF)

Mudança (07062007DF)
Os badulaques passando de mão em mão,
A geladeira, a televisão, a máquina de lavar, alguns móveis,
outros, imóveis, ficaram:
Deixei-os para meus irmãos.
Mudas de roupa, apenas as da estação e as afetivas.
- Como aquela camiseta de algodão toda cerzida,
por vezes ameaçada de virar pano de chão. -
Fechou-se a porta e o caminhão seguiu
Como se nada tivesse deixado para trás.
Eu, no avião, sentia a falta de algo.
Pensei, refiz meus passos,
Reli a lista em voz alta,
Adiei o cansaço e a leitura
Para vasculhar a mochila...
Nada!
Olhei minhas mãos vazias,
Trancei-as e torci os dedos
Até cada falange estalar.
Por fim, pousei-as sobre o peito
E notei que faltava um batucar.
domingo, 20 de maio de 2007
Ausência (27052007DF)

sábado, 14 de abril de 2007
Se há Deus, a Deus. Ou então... Adeus!
A tempo de ver o carro dobrando a esquina.
Ouvi o distanciar do bangue-bangue
Enquanto enrolava-se em agonia e sangue
O corpo esguio da menina.
Pararam um táxi para prestar socorro.
Acomodaram-na com cuidado,
Usando uma colcha emprestada como forro.
A polícia chegou,
Ninguém viu nada,
Todo mundo nada sabia.
A única testemunha era o sangue no passeio
Por onde passeávamos todos os dias.
No breve silêncio desta soluçante realidade
Só me resta ter saudade de outros barulhos:
Das crianças brincando de bola,
Pique, carniça, saladas mistas tendenciosas,
De inocentes polícia e ladrão.
Da sineta do pipoqueiro,
Do carrinho de sorvete,
Da cigarra na bicicleta do garoto trazendo o pão.
Valha-nos o Deus destas cidades!
Do meio-fio da navalha por onde andava o sossego,
Antes de ser pego de surpresa
E tombado sobre o tabuleiro pintado
No tampo de pedra da mesa.
Existe hoje no local um modesto altar
Onde pedem graças os desvalidos,
Diante uma pequena cruz e algumas imagens,
Velas acesas e pedaços de papel com pedidos e mensagens,
Todas elas fartas em fé e sofrimento.
- Continuam sendo feitas apostas naquela placa de cimento.
Valha-nos o Deus dos lares de paredes finas,
Das janelas sem blindagem e sem cortinas.
Dos túneis, vias, dos bares pela cidade,
Dos bordéis, motéis e até da Igrejinha da comunidade,
Onde a celebração matutina foi interrompida
Quando uma bala perdida estilhaçou os vitrais,
Partindo em pedaços a imagem da pomba da paz.
O povo tentou juntar os cacos
Mas eles não se encaixavam mais.
domingo, 8 de abril de 2007
...
As provocações do destino
São pequenos grãos dos grãos de areia
Comparados aos sofridos por aquele menino,
Saudado por reis,
E traído por seu próprio povo.
Lembrem disso,
Sempre que pensarem em desistir de novo.
Boa Páscoa .
sábado, 31 de março de 2007
Ah, vai pra...

“Armas não matam pessoas. Pessoas matam pessoas.” O fdp que cunhou essa frase só podia estar de sacanagem. Já pararam para pensar no tamanho da idiotice? Se não fosse para matar, qual seria função delas? Um 38 como peso de papel? Alguém imagina um AK-47 escorando um varal? Valham-me Nossa Senhora dos Antibélicos e São João dos Coletes à Prova de Balas. Mas um Estado que diz “Estupra, mas não mata!” só pode gerar este tipo de distorção. Um Estado de verdade não deixaria acontecer nem uma coisa nem outra.
terça-feira, 27 de março de 2007
Idéias preservativas.
*Nas locadoras. Recomendo.
terça-feira, 20 de março de 2007
Disparo acidental.

Por favor, desculpe-me.
Não era minha intenção
Acertar-te o coração em cheio,
Mas você pôs-se bem no meio deste fogo amigo
- Quiçá amado.
Foste inábil para saltar de lado
Ante o disparo dos versos,
Culpados por roubarem tão raras lágrimas.
Dispenso o recesso, o contraditório
E sua ampla defesa de palavras vazias.
Fui eu!
Sou o assassino confesso da tua apatia.
domingo, 18 de março de 2007
Silêncio: a discussão mais íntima.
- O problema, Clotilde, é que eu falo pra cacete. Até quando estou quieta, desando a tagarelar em silêncio, comigo mesma. Dormindo ou acordada, parece existir uma multidão dentro da minha cabeça, igual a um mercado persa, gritando, urrando para ser ouvida. Cada um diz uma coisa, como em um pregão, oferecendo suas idéias para eu decidir qual tem mais ou menos valor. Aí você, sentada na outra ponta da mesa, olha para mim e comenta com a pessoa ao lado:-Olha a Quitéria... Como é calma! Invejo sua placidez.
-Placidez. Qual nada! Estou é discutindo...
sábado, 17 de março de 2007
A menina dos olhos

Vai passando um pequeno carro sem freio
Com uma menina e seus óculos de aros vermelhos.
O carro tem volante, mas não tem governo.
Sabe-se dele o início, mas não o termo.
Vai ao sabor das ruas
Como vão as marés, das fases da lua.
Através das pequenas janelas,
A criança vê o mundo com olhos de colorir,
As imagens enchendo-lhe a pança das retinas
Até as lentes pularem da face
De riso e choro fáceis.
A pequena dá de ombros
E tateia o chão com a mão até encontrar
- Surpreende-se o mundo, sempre atento,
Ao perceber que em nenhum momento ela desvia-lhe o olhar.
sexta-feira, 16 de março de 2007
BBB - Big Boss Brasil
Qual é a receita?

Chega um senhor e joga o CPF em cima da minha mesa:
- O quê que o meu CPF tem?
Calmamente, levantei as mãos e respondi:
- Olha, eu não sou médico. Mas, olhando assim, ele parece estar bem...
O cliente abandonou a agressividade:
-É que eu recebi uma carta dizendo que a receita estava irregular...
Percebi:
-Sei. O CPF está irregular na Receita. Então o sintoma é outro. Pode sentar, e vamos salvar o paciente!
domingo, 11 de março de 2007
Desconjuntura
Toda a norma é uma forma de conduta
Dos dez mandamentos à pensão de alimentos
A sanção é a resposta ao não
Ao desrespeito, à omissão
Culpa, multa, privação de liberdade
Nem sempre protegem a sociedade
Crimes praticados são leite derramado
A causa já era, resta o efeito
Sem reparação, sem jeito
Toda norma é uma forma de conduta
Para todos os filhos da mãe
Mas não para os filhos-da-puta
Seminus em cuecas dolarizadas
Com cara de quem não deve nada
Nada a declarar, nem a vocês, nem à receita
Com o tempo, tudo se ajeita
Basta acreditar no presente
Deixar o passado de lado
Comprar um carro para um deputado
Preencher um cheque, acender para o diabo uma vela
É o que transforma este país alquebrado
Naquele menino da favela
Que pensa sonhar ser respeitado
Mas com todo o ódio reprimido
Deseja mesmo é ser temido
Ostentar no pescoço grossos elos de ouro
Tal qual a argola no focinho do touro
Pelo alarido da multidão, tão envaidecido
Nem percebe estar prestes a ser abatido
Acha que ser humano
É ser bandido americano
Pegar sol no Havaí
Caçado pelo FBI



