domingo, 11 de maio de 2008

Atropelamento e Fuga (11052008 DF)


Era um indivíduo precavido,

Atento a todos os detalhes.

Não descuidava das portas

- Sempre dava duas voltas nas chaves -

Verificava com minúcia os cadeados.

Estava sempre abrigado contra o sol e a chuva.

Olhava para todas as direções antes de atravessar a rua.

Conduzia o carro como se fizesse uma prece,

Tinha todos os dispositivos de proteção:

Cintos, airbags, ABS...

E diploma de primeiros socorros do curso de especialização.

Motorista experiente, com a mesma calma ia por pistas sinuosas,

Retas, mansas e caudalosas.

Ignorava resultar em placebo

As prevenções contra o seu mais íntimo medo.

Nunca se imaginara naquela situação.

E ali, prostrado, estirado no chão,

Viu suas certezas desaparecerem,

Suas mãos suarem e tremerem,

O coração disparar em agonia,

Sem ao menos se importar com os radares

Espalhados pela rodovia.

Escurecida a visão, seus olhos brilhavam,

Guardando as fotos tiradas no momento do acidente.

O momento para o qual estava fadado.

Quando, inadvertidamente, pelo amor,

Fora impiedosamente atropelado.




sábado, 10 de maio de 2008

O bêbado, o equilibrista e o cantor de chuveiro...

Imagina um sujeito cara-de-pau... O cara canta no chuveiro e sua voz ecoa no prédio inteiro. Não satisfeito em perturbar os vizinhos mais próximos, o fuça-de-peroba grava um vídeo e posta na internet para o alcance ser maior. Podem ficar calmos: As imagens são do teto do banheiro. Não quero ser conhecido pelo corpinho escultural... Ah, antes de sacanear, grave um. Mas só vale se tiver o barulho do chuveiro ao fundo e nenhum recurso técnico de edição de voz. Ah, e esse eu gravei com um celular SonyEricsson W580i. Chupa essa manga!!!





quarta-feira, 7 de maio de 2008

Caixa Preta (07052008DF)

Quando a aeronave espatifou-se contra o solo naquela ensolarada manhã de abril, as emissoras de rádio e televisão transmitiam ao vivo a cerimônia de formatura dos cadetes do sétimo regimento. Foi tudo muito rápido. Em uma manobra exaustivamente praticada, o caça perdeu altura e acabou-se em uma bola de fogo. A esperança do piloto ter ejetado logo foi dando lugar ao desespero. O resgate chegava rápido ao local da queda, mas só havia chance de recolher os pedaços do avião e do piloto, Capitão Adam Avlis. Tinha acabado de se formar e esse era o seu primeiro vôo de exibição. Um filme passou na cabeça da sua mãe, que assistia à cerimônia do palanque central: Desde pequeno o filho sonhara com aquele momento, quando deixava de lado os carrinhos e a bola de futebol para brincar com aviões de papel. Cresceu, estudou, e nunca pensou sequer em seguir outro caminho. Viveu a vida inteira para aquele momento. Viveu a vida inteira para morrer ali, na sua frente. Ela, apesar de toda a dor, sabia que o filho estava realizado. Tinha certeza que valera a pena. Os outros tentavam entender o porquê dele não haver seguido outro caminho, inconformados de uma trajetória tão bela terminar assim. Soubesse ele, talvez tivesse topado tudo de novo. Ou faria tudo diferente, brincaria com os carrinhos e a bola de futebol. Sem viver, nem ele, nem ninguém tem como dizer . Pois é, fica tão mais fácil julgarmos quando não estamos calçados nos sapatos do réu. Entendo a natureza humana e acolho os veredictos com o respeito que ocasionalmente falta ao júri. Mas não peçam para eu aceitar a cobrança por uma sabedoria que ninguém jamais terá. Vão viver, filhos.

terça-feira, 6 de maio de 2008

A Foto E A Síntese.(06052008DF)

Tempo estranho:

No quarto escuro e nublado

Eu mesmo dou conta de acordar meus pesadelos.

Temo mais é ficar só

Do que temo meus próprios medos.

Nessa hora onde a fé fenece,

Até se oferece a agonia

Bela dama de companhia.

Horas, são quase oito.

Pergunto se é dia ainda.

E você, linda, ri sem graça ao meu lado,

Direto do passado estampado no porta-retratos.

Eu, na foto, grito.

Mas, no quarto, permaneço imóvel, mudo,

Ao lado de um cinzeiro boquiaberto,

Com o cigarro na boca a enfumaçar tudo.

Quando o vermelho desbota,

A paixão já queimou tudo o que tinha.

Então não sobram rosas,

Apenas cinzentas cinzas.

Vejo as flores na foto,

Só elas esmaecidas.

Esquecidas as cores,

Desbotados os amores,

Por ora, mãos de mãos vazias.

No aguardo das emoções virarem adubo,

Outra vez brotarem

E perfumarem a fumaça dos dias.


domingo, 4 de maio de 2008

Cuidados básicos com a saudade. (05052008DF)


A felicidade é uma porta

Por onde a saudade não passa,

Finge-se de morta para não ir em frente.

Fechada a porta, faz algazarra,

Bagunça, maltrata, exibe todo o seu orgulho.

Mas ao menor barulho, fica novamente imóvel,

Desfalecida à soleira.

Espera que alguém, com dó,

Venha tentar soerguê-la.

Não venham!

Nunca se agarrem às suas pernas,

Observem-na de longe, admirem suas belas matizes,

Ou alijados serão de seguirem em frente

Em busca de serem outra vez felizes.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Voltei (DF, 24042008)

Voltei-me e deixei o presente virar passado,

Virar saudade,

Virar carinho,

Virar uma sensação de fracasso

Por não ter feito por outrem

O que fizeram por mim.

E assim continuo,

Amando todos que amei:

A vó, o vô, os tios, tias, primos, primas,

Os amigos que foram para o andar de cima.

A, espero um dia, grande amiga,

Cuja felicidade desejo mais que a minha.

Eu vinha ontem, pela estrada,

Pensando na covardia,

Na acomodada cegueira,

Em nada incomodada por uma antiga ferida,

Teimosa a tal ponto de, por um triz,

Recusar-se veementemente a virar cicatriz.

Vou adiante do revés que eu mesmo causei,

Não nego,

Tão pouco digo que, fosse outra vez, faria não.

Tenho a certeza ofertada

Pela nua, crua e dolorosa constatação.

Sigo a vida,

Mas não mudo o viés.

Triste pela minha e pelas outras almas partidas

Das quais desvio na ponta dos pés.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Há vontades (DF, 12092007)




O quê você quer:

Dinheiro?

Carinho?

Vencer?

Um canto para ser realmente você?

Alguém que te entenda?

Alguém que te prenda ou quem te liberte?

Alguém que te conserte ou quem te bagunce de vez?

Quer mais uma hora, um dia, um mês?

Quer que te ignorem,

Ou que todos saibam o que você fez?

O quê você quer?

Sair em segurança ou se arriscar nas andanças?

Qual é o seu tipo:

O que garante o futuro,

Ou o que não teme o escuro e mergulha?

Quem és tu, o furo ou a agulha?

Esteja à vontade:

Ir, vir, avançar, desistir;

A vida não se faz de rogada...

Se há vontades

Para todos os gostos,

Não deve existir maior desgosto

Do que não ter vontade de nada.

(Para refletir) E disse Ghandi:



"- Não tem ninguém lá...

Tá todo mundo sozinho."


A "ghandi" figurinha que eu amo. Provavelmente a asneira mais genial que ouvi na vida.


domingo, 13 de janeiro de 2008

Timão tem novo patrocínio.

A campanha "Vamo subir Timãããoooo!!!!" ganha força com o anúncio do novo patrocinador do clube, o laboratório Pfizer. A ordem agora no Corinthians é "cresça, endureça e vá para as cabeças"!

As aparências enganam.

O líder do (des)governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) declarou à Rádio CBN que a queda da CPMF representa um grande prejuízo ao orçamento da União, posição reiterada pelo nosso “Commander in Chief” ao declarar em rede nacional: "Infelizmente, esse processo foi truncado com a derrubada da CPMF, responsável em boa medida pelos investimentos na saúde. Como democrata, respeito a decisão tomada pelo Congresso. E estou convencido de que o governo, o Congresso e a sociedade, juntos, encontrarão uma solução para o problema".

Dias antes, havia ouvido na mesma rádio o presidente dizer que mais de 70% da CPMF eram destinados à saúde. Só se for à saúde financeira de alguém. Segundo matéria publicada na Agência Brasil em de setembro de 2007 (http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/09/04/materia.2007-09-04.2061585115/view) o Sinistro da Saúde José Gomes Temporão declarava (aparentemente satisfeito) que a aplicação da CPMF na saúde crescera 61% desde 2003 e alcançaria em 2007 o patamar de 15,8 bilhões de reais. Peraí, vamos a uma matemática básica: 15,8 bi representa apenas 39,5 % de 40 bi! Cadê o resto dos mais de 70%? Só para termos uma idéia, o orçamento da saúde para 2007 foi de 49,69 bi, ou seja, quase totalmente coberto pela CPMF se esta fosse aplicada onde deveria. Como desculpa, aumentam o IOF e já estudam reapresentar a CPMF antes do final do ano, aproveitando a deixa para “entubar” mais um pouquinho. A propósito, não poderia ser mais vergonhosa a desculpa dada pelo Sinistro da Fazenda, Guido Mantega, como mostra o texto extraído do jornal Zero Hora:


No mês passado, depois de o Senado acabar com o chamado imposto sobre os cheques, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia descartado o aumento de impostos para compensar a retirada dos R$ 40 bilhões. Ontem, líderes da oposição no Congresso acusaram o governo de quebrar o acordo feito no final do ano e que garantiu a prorrogação da Desvinculação das Receitas da União (DRU). Na ocasião, para conseguir os votos necessários à aprovação do dispositivo que permite a liberação de 20% da arrecadação para gastos livres, os governistas diziam que não haveria aumento de impostos.”

...

Ao justificar as medidas, Mantega disse que o compromisso do governo de não elevar impostos valia apenas para o ano passado. E insistiu que não se tratava de um pacote:

- O presidente Lula disse que não mexeria na área tributária em 2007 e de fato não o fez. Estamos fazendo em 2008 e, portanto, está dentro daquilo que foi estabelecido. Isso não é um pacote. São apenas duas medidas tributárias de ajuste. É um ajuste mínimo - argumentou.

Isso sem esquecer que o imposto de renda pago pelo contribuinte brasileiro tem uma das piores relações custo-benefício do mundo: apesar de alto, precisamos pagar por segurança, saúde e educação particulares, pois esses serviços (que deveriam estar incluídos) não são fornecidos pelo Estado em condições dignas. Lembro de colegas na faculdade oriundos de intercâmbios com países como Peru e Angola com uma base educacional infinitamente superior à nossa. Eu pensava: como pode, nosso país não é mais desenvolvido? De qualquer forma se não somos os mais inteligentes, devemos ser o povo mais rico do planeta... Imagine: 27,5 % do salário, todo o mês, para o governo, além do INSS!!). Sem contar com as outras taxas, embutidas aqui e ali. Para comparar: um iPod shuffle, o mais barato, custa por aqui cerca de 300 reais. Nos EUA sai por 79 dólares, ou seja, 138 reais e 53 centavos na cotação do dia 11/01/2008. E eu ainda queria realmente saber o que fazem com o IPVA. Aqui, na Capital da REBUblica, tem cada buraco nas vias principais que me pergunto como serão as secundárias... E, assim como os buracos, os gastos do governo vêm aumentando ano após ano e a saída, obviamente, virá dos meus, dos seus, dos nossos bolsos. E dizem que essa é uma administração responsável. Eu,... Bem,... Minha mãe pode até ter sido lavadeira, mas nunca fui trouxa. Posso até ter cara, mas nunca fui, não.






domingo, 23 de dezembro de 2007

O ano mesmo


À soleira da casa modesta

O menino espiava a ruazinha de barro,

Em fervilhante agitação.

Fazia mais sentido a bituca de cigarro

Queimando seus últimos suspiros sem um pingo de inspiração,

Apenas a lembrança da boca, das mãos.

Observava o vai-e-vem incessante dos

Carrinhos com garrafas

De pinga, cerveja, refrigerante,

Ora cheias, ora vazias

E até um leitão morto, dentre

Muitas outras coisas que não distinguia.

Via gente vindo de todos os lados

Em roupas de domingo.

Vinham a pé, no lombo de burricos,

Ou em uma pequena charrete

Conduzida por um senhor de barba branca

Que fumava cachimbo e usava chapéu -

A imagem de menor distância

Entre sua infância e Papai Noel.

O dia passou com os calcanhares passando, suas vozes distintas

Entrecortando o silêncio da poeira aquietando-se no chão,

Até a noite esparramar sobre céu

Seu profundo azul escuro,

Eventualmente espocado por um bissexto rojão.

Através de retalhos bruxuleantes

No breu mais puro dos casebres sem eletricidade,

Via pessoas em volta de mesas,

Servindo-se de alegria em quantidade

– Pareciam vagalumear pela pequena cidade! -

Iluminou-lhe a face um sorriso acidental,

Rapidamente apagado.

Ele continuou ali, sem um minúsculo músculo mover,

Como se houvessem entregue

Em endereço errado o seu convite para viver.

Esperou, esperou cada segundo restante da

Sua angústia genuína

Com seus olhinhos fixos na esquina.

Soaram as badaladas

Em dueto com seu pequeno coração.

Até a décima segunda toada,

Um dó de peito doído de saudade, roxa de tão sufocada...

Do olhar doce no rosto sofrido,

Do colo quentinho, das mãos,

Da voz suave no ouvido:

“- Dorme, filho.”

Trinta e um acabara na contagem em cantilena,

Acompanhando, ao longe, o som da TV preto e branco

Com um chumaço de palha de aço na antena.

O menino imóvel permanecia, sem entender:

Do que tanto ria e festejava esse povo,

Se não passara por ele o tal do ‘Ano Novo’?


Que em 2008 sejamos mais felizes. Mesmo que isso signifique apenas termos consciência de que já somos felizes hoje. Não pela comparação com a miséria alheia mas pelo simples fato de estarmos vivos, amarmos e sermos amados por quem está conosco e por quem já não vemos mais mas vive em nossa lembrança. Tenham fé. E um Feliz Natal.

sábado, 15 de dezembro de 2007


Certa vez li, em um estudo kardecista, que a depressão é uma doença da alma. Aliás, muitas doenças manifestam-se fisicamente bem depois do espírito as ter contraído. Pois é, deu para notar que não estou muito bem hoje... Mas não deixa de ser interessante procurar algo de bom em um estado de espírito desfavorável. Um exercício e tanto, questão de insistência. Isso, a insistência, na maioria das vezes, é a diferença entre um possível fracasso e um estrondoso sucesso. Podem chamar como quiserem: determinação, fé, qualquer nome vale. Mas não confunda: Quando cito "fé" não estou falando em "religiosidade". Religião, cada um tem a sua( Não se engane, até o "não ter uma religião" é uma religião: A crença de que nada é divino). Conheço gente religiosa (de várias religiões) que não tem a mínima idéia do significado da palavra "fé". Você não precisa repetir para acreditar, não precisa doar por doar (doe pelo outro, não por você mesmo, ou será alívio de consciência ao invés de caridade. Uma linha tênue entre o altruísmo e o egoísmo.), só precisa crer. Aí os cânticos, os louvores, as preces, os mantras, os mais simples pensamentos terão o endereço certo. E no final do dia, principalmente daqueles onde tudo aparentemente deu errado, não esqueça: Agradeça! Pode ter certeza, você terá aprendido alguma coisa.



Fé-losofia (20071215 DF)

Dizia minha Vó:

“-Deus é bom.”

Nisso eu até hoje acredito.

Mas dizia ela também:

“Deus está em tudo.”

Disso – O Senhor me desculpe –

Eu já duvidei um bocado.

Estar Deus em todas as coisas,

Significa não só estar aqui, acolá,

Ali do lado,

É estar também nas coisas ruins.

E isso, para mim, soa esquisito.

Pode Deus estar na fome?

Estar nas guerras, na injustiça?

Na preguiça dos governantes?

Não, partindo da primeira premissa.

E era mesmo isso que eu achava antes.

Mas hoje não é.

Nos olhos do soldado, da faminta menina

E do injustiçado percebi a esperança

De logo ver o conflito resolvido,

O estômago saciado

E a justiça triunfante,

Mesmo que somente a divina.

A experiência deixou meu preconceito mudo,

Diria embasbacado, até.

Descobri que Deus não está onde existe tudo:

Deus está onde existe a fé!





terça-feira, 20 de novembro de 2007

Perda (DF, 20112007)


“- O que havia para se dizer já foi dito, tudo agora será repetição”, pensei. Mas não é repetida a barbárie? Então, porque não posso? Não havia sentido vontade de dizer ou pensar nada. Tampouco rezei, achei o Senhor um pouco surdo ontem. Tenho seu perdão pela minha ignorância, sei. Não é proposital a letargia, essa vontade de sentar no chão e chorar até virar poça d’água. Essa mágoa por não poder ter feito ou dito algo capaz de evitar o fato, eufemismo para “tragédia”. É vergonha pura de ser humano, e precisar apelar para não virar estatística, para não ser desvalorizado pelo que possui. É o contrário? Não creio. Quanto mais temos, mais o que temos vale mais do que nós mesmos. Uma moto, um computador, um celular... Tudo é “causa provável” para surrupiar a vida de alguém. Aí apelamos para a justiça, para o governo e para o criador. Uns dizem: “- Deus assim quis.” Mais uma vez, proíbo-me de crer nisso. É sacanagem, um curativo bem sem-vergonha essa história de destino. A idéia do livre-arbítrio não dá a Deus a responsabilidade pela fraqueza, maldade e mau-caratismo de seus filhos, mesmo os mais bastardos. A culpa é de todos nós, por termos transformado a vida nesse trem sem freio onde não enxergamos nada, só o objetivo: Termos mais. Isso acontece todo dia. Vemos pela TV, controlando nossa exposição através do controle remoto. Hoje aconteceu aqui do lado, e estamos chocados, pois o controle remoto não está à mão para zapearmos em busca de uma programação mais segura. Tentando acreditar, repetimos o mantra : “-A vida continua”. Para nosso amigo, com certeza. Para nós, já parou faz tempo.

Esteja na paz de Deus, meu amigo. Por enquanto, ficamos aqui na guerra.




sábado, 17 de novembro de 2007

Óleo sobre tela. (20071117, DF)


Na fronteira tênue

Entre a genialidade e a loucura

Sentam-se, placidamente,

O criador e a criatura.

Somos todos artistas exigentes,

Autistas em solitárias pinturas

Onde só nos interessam realmente as molduras.


quinta-feira, 8 de novembro de 2007

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Ministéricos (DF - Onde mais? - 25092007)




Na política
Não existe espaço para a poesia,
Apenas para os esquemas.
Eles estão para ela
Assim como estão para os poetas
Os poemas.




quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Esses “homens” públicos e seus votos secretos. (DF, 13092007)

Hoje, um dia depois de mais uma vergonha digna de republiqueta, ouço muito falar no “suicídio político” do Senado. Ao absolver um “colega” comprovadamente envolvido em irregularidades, os Senadores da República deixaram claro para o resto da população (resto mesmo, é como me sinto), que se existem duas palavras totalmente dicotômicas essas são “decoro” e “parlamentar”. Mas venhamos e convenhamos: era uma tragédia anunciada. Diante da defesa do absurdo voto secreto, nada se poderia esperar diferente de covardia e canalhice. Para mim é uma questão simples: se dita “coisa” é pública, públicos precisam ser seus históricos, suas posições (nisso incluem-se os votos) e suas contas (a não ser, logicamente, nos casos de segurança nacional – a serem previamente muito bem definidos.). Fora isso, é papo para soneca de bovino. Da questão do “suicídio político”, discordo: O “banzai” foi gritado bem antes, nas urnas eletrônicas, e os kamikazes fomos nós mesmos. Não creio na existência de um problema de “clima” no Senado para votações daqui para diante, como querem fazer parecer. A maioria do bando sempre acaba se entendendo, bastando para isso acertarem os valores (financeiros, é claro. São os únicos importantes para essa “gente”). Perguntado sobre a crise, o Presidente da REBUblica deu a entender se tratar de um problema interno, dizendo que “desde que o Senado voltasse a funcionar, tudo estaria bem” . Depois de declarar não acreditar na existência do “mensalão”, apenas de “pequenas corrupções isoladas” não se poderia mesmo esperar outra coisa.
É no mínimo triste ver um sujeito ir diante das câmeras bradar contra a corrupção e a impunidade, acenando com a cassação para “reafirmar a ética da casa” para depois esconder-se atrás do voto (ou da omissão de uma abstenção), dando vazão ao mais imundo corporativismo e transformando o Senado em um trenó, comandado por Renan e suas renas. A diferença da história infantil é que dentre elas não existe nenhuma com o nariz vermelho. Este está mesmo é na cara do cidadão.




Depois disso, só me resta fechar com uma homenagem a um crítico contumaz dessa bandalheira:

Chique-Chico (DF 13092007)

Quando, criança, fazia arte,
Por vezes a mãe rezava para meu futuro
Manter manhas e artimanhas à parte.
“- Êita menino danado! Saiu aos seus parentes,
Não aos meus!”- bulia com o pai.
Hoje, quem acompanha esse pequeno servo de Deus?
Os amigos fiéis, parentes ou não,
Ou apenas aqueles a quem prometeu estender a mão?
Velado?
Escancarado?
Qual o interesse motiva essa lealdade?
Ânsia pelo sucesso esperado,
Caçado como deveriam ser
Senadores ao invés de focas,
Mortas enquanto o Senado
Absolve a si mesmo no breu das docas.
É, cito Chico,
O Buarque,
A boa arte do Brasil,
Não da Holanda graças a Deus!
Mas, reconheço, se assim fosse
Os personagens seus não pagariam tão alto preço.
Fosse o Chico mesmo da Holanda
- Para dar à conversa um começo -
Teria ela a poesia tão à flor da pele
Que seria até capaz de por ele dobrar seu ele.
Ninguém por lá morreria na contramão
Atrapalhando o sábado,
Geni não mais se sacrificaria,
Deitando com o homem do Zepelim
Para salvar você ou a mim,
Os cavalos falariam não apenas inglês ,
Mas também holandês, frisão, alemão e francês,
E todos por lá seriam heróis.
Mas, por aqui “O que será?” viraria “O que seria...”,
“O que seria de nós?”