domingo, 16 de novembro de 2008

Sonho ou Pesadelo?

Minha médica estava a me perguntar sobre sonhos, por conta de um questionário de avaliação para o início das sessões de acupuntura (mais uma medida para tentar conter uma insistente dor no pulso esquerdo). Eu dei a mesma resposta de sempre e tive a mesmíssima reação de surpresa da contraparte. Nunca havia pensado em escrever a respeito, pois é, pelo menos para mim, de uma lógica tão básica... Em todo o caso, passei a achar interessante a surpresa na reação das pessoas à minha resposta, quando o assunto passa para o campo dos pesadelos. Não tenho muitos sonhos ruins. Gostaria de tê-los mais freqüentemente. Há! Imagino a expressão do seu rosto lendo isso... Calma! Você não entendeu errado. Gosto dos pesadelos! Admito: Os sonhos bons são legais. Mas não dá uma certa frustração quando você larga aquele seu iate nas Ilhas Maldivas, seu vôo solo sem aeronave, seu mergulho profundo sem necessidade de equipamento, enfim, todas as coisas que te dão imenso prazer em um sonho para voltar ao seu quarto, em uma manhã de segunda-feira ao som do rádio-relógio? Não? Então tá. Eu fico bem puto da vida. Com os pesadelos ocorre exatamente o contrário: Estou eu lá, sendo decapitado, atacado por abelhas, feito em pedaços em um ataque terrorista ou coisa bem pior quando, no background do sonho, o barulhinho do rádio-relógio me resgata para meu confortabilíssimo, quase nababesco quarto, em uma maravilhosa manhã de segunda-feira. Pulo da cama e, exultante, preparo-me para mais um sensacional dia de trabalho enquanto admiro pela janela a beleza dos tons cinzentos no céu. Percebestes a diferença? 



quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Não é propaganda de urologista...

Aviso aos navegantes: Estou publicando histórias em outro blog. O endereço é:

www.texticulosdejo.blogspot.com.

  Passem por lá também. Continuarei publicando no Blog da Babá Quitéria as poesias e impressões das cores do cotidiano. Podem vir, puxem uma cadeira e divirtam-se. 


sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Crises, Cruzes e Credos.

Os países com maior representatividade no cenário econômico mundial deveriam coordenar esforços para criar um fundo de socorro para momentos como o da atual crise. O dispositivo deveria chamar-se, apropriadamente, 


FUndo De Emergência Unificado.




quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Quando ficar parado é fazer parte do movimento...

Analfabetismo Funcional : Quando o governo tem preguiça de ensinar.


Vi, no Jornal Hoje, uma reportagem (em um quadro chamado “Era uma vez...”) sobre o analfabetismo funcional. O que vem a ser isso? Bem, é o nome bonitinho, cheio de tecnicidades, dado para milhões de ocorrências de crianças analfabetas freqüentando a escola. No meu tempo (não tô nem aí se pareço um velho...), éramos analfabetos só quando entrávamos na escola. Depois, naturalmente, aprendíamos a ler e a escrever, e seguíamos em frente. Fazíamos as provas e trabalhos em busca de aprovação para o próximo ano. Quando acontecia de não conseguirmos, fazíamos tudo de novo. Não chego ao ponto de dizer que a escola preparava para a vida, pois a vida nem sempre dá chance de "repetirmos de ano", mas que ajudava, ajudava.  Lidávamos com a responsabilidade, com a superação, com o sucesso e o fracasso. Diferente de meu amigo João, que exibe orgulhosamente seu impecável boletim (impecável mesmo. E exibe até hoje, com justificado orgulho), eu tive algumas páginas não tão brilhantes no meu histórico escolar pós primeiro grau. Confesso: Tenho dificuldades com ciências exatas. Costumo dizer que adoro matemática (e é a mais pura verdade!), mas ela não gosta lá muito da minha pessoa. Sempre fui um “ser” de comunicação. Mas sempre fui, também, um “ser” teimoso, impulsionado pelos desafios. Na hora de fazer faculdade, eu acreditava ser muito cômodo cursar jornalismo ou publicidade (trabalhava como redator publicitário na ocasião). Tinha muito contato com o conteúdo do curso e este não me desafiava em nada. Fui fazer o quê, então? Na época, engenharia de sistemas (depois virou informática e, por último, ciência da computação) e todos os seus cálculos e físicas. Sufoco total. Onde quero chegar? O governo, em seu mais absurdo desgoverno, acredita ser traumático demais para uma criança ficar reprovada na escola. Para nossos “caciques” a solução “alternativa” é a aprovação automática. Para mim, não há essa tal “alternativa”, a solução é uma só: Estudar, porra! Conheço muita gente arrependida por ter largado os estudos, porém nunca vi ninguém traumatizado por ter ficado reprovado na escola. Hoje cheguei ao absurdo de ver , na matéria do telejornal, um menino de dez anos traumatizado por ter sido aprovado sem saber ler. Atualmente, ele cursa(?) a quarta série do ensino fundamental (fundamental para quê, mesmo?). Esse menino é um dos milhões de “produtos” da idéia do governo, onde o “traumático repeteco” pode ser explicado pelas contas e não pela “cuidadosa” psicologia: O motivo real é o custo de repetência, quanto é o gasto do poder público por criança em uma escola municipal. Esperem aí: Quanto é gasto? Desde quando preparar um cidadão é gasto? E eu ainda me admiro quando vejo qualquer aluno, de qualquer país na nossa "subdesenvolvida" América Latina dar de dez a zero nos nossos, por exceção, “emergentes” compatriotas. Tornamo-nos um país onde a ignorância é subsidiada pela falta de respeito com a educação. Podemos gastar fábulas com viagens, cartões corporativos, compras superfaturadas, salários astronômicos... Mas vamos economizar no ensino. Qual é o futuro de um país assim? O interesse político na ignorância para a manutenção do status quo não parece teoria da conspiração, é a conspiração na prática! Estão roubando o futuro das nossas crianças! Afanando-lhes a oportunidade de serem pessoas capazes de encarar a vida,  superar obstáculos, de vencerem, perderem, empatarem. E estarem sempre prontas para entrar em campo e jogar novamente. O resultado é W.O. na certa.

 

Poesia? Não, ninguém nunca fez.


Fazer poesia é um exercício de petulância. Ninguém “faz” poesia. No máximo, ela se permite um encontro conosco. Escorre por entre as folhas das árvores, desce pelos raios do sol, goteja com a chuva, urra com barulho do mar... Acontece! Isso mesmo, com tudo de bom e de ruim também. Há poesia em todo canto, desde sempre. No final das contas, mesmo que não saibamos ou não queiramos, é ela quem acaba nos fazendo, por amor, por descuido ou só de sacanagem mesmo. Não acha? Ué... E por acaso dois corpos entrelaçados não dão versos arretados?

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Mesa Redonda (Lembranças felizes das peladas na rua Batovi, Alecrim e Jaborandi)


Os meninos deitados na calçada
Sob a sombra da amendoeira
Comentavam a batalha travada
Na disputa pela bola de meia
As proezas de fulano,
Malabarista de guia,
Ou meio-fio, como queira.
Os dribles de beltrano,
Os passes perfeitos de esguelha.

Sangue e areia nos pés descalços...
Observo, lá no alto, a lagarta na folha
Perto da amêndoa madura.
Soubesse falar lagartês
Em tom cortês pediria
E ela gentilmente jogaria
Em meu colo a suculenta fruta.

Vôo solo divagando
Enquanto vai a tarde,
Mansa e resoluta,
Repousar no horizonte.
Precipitam-se sombras
E folhas em minha fronte,
Pousada sobre a raiz nascente,
Desenho em sutil movimento
Entre os escombros do pavimento.

Nós, crianças felizes, despidas de futuro!
Nosso imaginário canal 100...
Não existia Pelé, ou Garrincha,
Nem Zico, nem mais ninguém:
Éramos nós os craques de ontem,
De hoje, de amanhã
E a rua era nosso Maracanã.

Não havia o destino,
Saudade, mais nada.
Esse era nosso jogo:
Nas belas jogadas,
Passes no fogo,
Maravilhosas caneladas,
Jogadas combinadas, tabelas, macetes,
Só existiam os melhores momentos.
Nada das divididas da vida,
Este campo, numas vezes tapete,
Noutras duro como cimento.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Justificando...


Hoje acordei cedo (tá legal, nem tão cedo assim). Sob o sol de domingo, dirigi-me a uma escola perto da minha casa. Bem perto mesmo, cerca de duzentos metros. A fila não estava  grande mas  andava pouco por causa da pista seletiva de idosos, gestantes, pessoas com necessidades especiais e carregadores de criancinhas (vi a mesma criança com, pelo menos, quatro pessoas diferentes). Nada contra os idosos, as gestantes e os portadores de necessidades especiais... Só acho que o pessoal  zona eleitoral devia organizar melhor a distribuição, pois a sessão onde eu estava era a primeira e acabava todo mundo indo para lá. Fazer o quê? Acho que, se fosse para organizar, não se chamaria “zona”.  De qualquer forma, toda a vez que voto ou preencho um formulário de justificativa eleitoral, sinto-me enganado. Justificar o quê, afinal? Que p. de democracia é essa? Não posso exercer o meu direito de não confiar em nenhum candidato e simplesmente não votar(e obviamente não precisar justificar coisa alguma)? Sou obrigado a comparecer a uma “organização” eleitoral  e votar, nulo que seja, ou justificar, quando os candidatos é que deveriam justificar a minha falta de opção.  Talvez eu esteja errado e ser democrata seja isso mesmo, bradar pelos direitos e descer a porrada em quem faz algo diferente da sua visão de direito. Um processo "democrático" que começa com uma propaganda eleitoral obrigatória só pode dar nisso...



domingo, 28 de setembro de 2008

Estupidez


Somos tão burros, às vezes...

- Sem ofensa aos animais -

E a burrice me irrita tanto ou mais

Que a corrupção ou a deslealdade.

Talvez seja a estupidez a mãe de todas as iniqüidades.

Não confundamos com a falta de cultura,

Epidêmica em nosso convívio

E da qual eu também sou criatura.

Falo do obtuso pensar, assassino do amor,

Do respeito e do futuro do nosso presente,

Cada vez menos verbal,

A cada minuto mais venal,

Na troca da atenção à detenção pelas pequenas coisas.

Ou, pior, por coisas inexistentes.

Recusar-se a seguir em frente, duvidar dos princípios,

Complicar os relacionamentos em prol de uma vã psicologia...

Pagã filosofia.

Jogamos fora a água para chorarmos de sede ante a garrafa vazia.



sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O pior cego...


Somos todos juízes sem toga e discernimento

Para julgarmos sequer os acontecimentos

Por causa ou omissão da criatura

Que habita no perímetro da nossa cintura.


quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Au(top-top)sia.




















Por favor, não ponham a fazer contorcionismos
As minhas tão objetivas palavras:
Dos médicos, quando raramente necessitar
-Assim espero. –
Apenas quero o de melhor habilidade.
Por assim dizer, entendam:
De pouco importa para mim se é bom pai,
Amante da verdade,
Dedicado marido, extraordinário amigo,
Ou mesmo justo e cordato.
Não obstante ser seu caráter forte ou imundo,
Só me interessa saber se é competente
Em fechar a porta da morte
Para cada paciente moribundo.
Não estou nem aí se está em dia
Com suas prestações, obrigações, coisa e tal.
Digo, sem receio ao rubor:
Não sendo o ceifador,
- Quem quiser, pode, com gosto,
Me levar a mal.
Eu quero mesmo é redundante distância
De qualquer médico legal.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Desencontro Marcado



















Se eu jurar que não te amo
Se eu conseguir te convencer
Será que você pode repensar
E vir aqui, me ver?
Pode vir agora,
Para as horas não é tarde,
Apenas para nós
Faz-se o tempo um alcaide.
Venha sem medo:
Quem te assustava tanto
Não mora mais aqui
E não volta tão cedo.
Estaremos, portanto, juntos e a sós.
De nós desatados,
Pelo amor de Deus, acolhidos,
Pelo nosso, desapegados.


sábado, 23 de agosto de 2008

Pensamento de um gordinho...

"Estou em paz com o mundo,

afinal,

nós dois somos

redondos."



*PS> Antes que algum movimento em defesa das criaturas GG ou coisa parecida se manifeste por eu ser politicamente incorreto, esclareço que o "gordinho" em questão sou eu mesmo. Então, a barriga é minha (estou redondamente certo disso) e eu falo dela do jeito que quiser. Quem não gostar, com todo o respeito, vá se f...

Eu e minhas idéias...

Sempre li sonetos. São difíceis de dizer sem aquele tom declamatório, por causa da rígida métrica. Para quem não sabe, cada uma das quatorze linhas de um soneto é composta por dez ou doze sílabas poéticas (não é a mesma separação de sílabas utilizada por nós normalmente). Não vou me alongar para não ficar chato, mas acabei descobrindo que o soneto de doze sílabas(ou dodecassílabo) é também chamado de Alexandrino. Acham o quê? Tive que tentar escrever um, ora bolas. Então, um Alexandrino... Por Alexandre.

Alugado


Hoje passei um dia muito esquisito,

Coalhado numa angústia retinta.

Tomaram-me crenças em que não acredito

- Talvez a mente para mim mesmo minta.


“Coisas” de gente dum pensar erudito

Cujo sentir nada mais saiba ou sinta.

Emprestei então o meu peito contrito

À angústia esvicerada e faminta


Cercou-me, acinturando-me o plexo;

Reles, e emocionadamente sucinta,

Num taciturno e insular amplexo.


Por fim, em sua retina vi meu reflexo.

E ouvi da face pálida e distinta

Um sussurro conformado e desconexo.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Pausa para a faxina

Ando tentando escrever, não consigo. Tenho vontade, mas os pensamentos passam muito rapidamente, acima da capacidade da fotocélula do meu radar. Vi umas teias por aqui e resolvi limpar um pouco. Estou olhando as janelas, tudo ok. As entradas são permitidas, podem usar a porta da frente. Vejo que trabalhamos e estudamos, tentamos ganhar mais dinheiro das formas ao nosso alcance... Pelo menos sigamos os bons exemplos (Que não são necessariamente os que deram certo). Acusam a vida não ser justa. Ouço-a retrucar: “-Não sou mesmo. A JUSTIÇA não é justa, ou não cederia tanto. Parece mais um tecido surrado e esgarçado!”. Escutei ontem, por acaso (Acreditem...), uma abastada senhora reclamando da vida. Nunca vi ninguém questionar se merece as dádivas recebidas. A vida, graças a Deus é feita de curvas, alguns retornos e muitos pedágios. Mas não se iludam. Não ansiamos tanto assim por felicidade, dinheiro, fama, sucesso, saúde, paz, amor... O que caçamos, desesperadamente, é um animal chamado “tempo”.

sábado, 5 de julho de 2008

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Obrigado meu Deus, por eu estar aqui.

Por todos os poucos problemas que enfrentei,

Pelos muitos erros que cometi,

Por cada lágrima que chorei.

Por me fazer acreditar em não falar sozinho.

Por cada pedra que colocastes em meu caminho.

Obrigado por eu sofrer

E perdoe-me por ter sido a causa do sofrimento de outrem.

Aproveito e agradeço de antemão

Pelo sofrimento dessa outra irmã ou desse outro irmão.

- Eles podem não entender ainda o valor do quinhão.

Obrigado por me estender a mão e indicar o caminho

E por me fazer capaz de enxergar o pouco que consigo ver.

Obrigado pela minha consciência em meu não saber

E pela sua paciência em me ouvir, independente de meus pedidos negar ou atender.

Obrigado por acolher-me em suas mãos como se fosse um berço

E por oferecer-me sempre algo infinitamente melhor do que mereço.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Meus Parabéns. (Aguas Claras, DF, 16 de junho de 2008)


Dizem de quem quase morreu:

Nascestes de novo!

Ao perigo iminente

Deu-se o status de parto,

E de mãe a uma quase tragédia.

Estou é farto desses absurdos,

Lugares comuns em tragicomédias.

Puxasaquismo com os cultos

E com os “religiocratas”.

(Ponho-me, de tão modo puto, a inventar palavras)

Nasço de novo todo ano,

Em junho, dia dezesseis.

Não dependo de quase morrer para comemorar.

Vida é festejar, um dia de cada vez

- E por todo o calendário -

O advento da data.

Não existe felicidade adquirida.

Pode estar ela adormecida,

Mas é sempre nata.

É parte, não à parte.

É o que compõe,

Não o que resta.

Parece até irresponsabilidade

Mas, na verdade, comemoro sempre

Pois não há garantia

Da minha presença na próxima festa.

A quem simplesmente espera pelo dia

Meus parabéns antecipados.

Não defenestro, tampouco me junto a estes.

Esperem sentados até que alguém diga:

Mais um ano, de novo, quase vivestes!


Nossa! Já faz mais de um ano do início do blog. Culpa do David Lima. Isso mesmo, qualquer queixa, postem no blog dele “A Laranja de David Lima” (está nos indicados, no canto direito da página). Aproveitem para ler: É muito bom. Podem acreditar, não tenho grana para ficar rasgando seda à toa (até estopa estou economizando). Hoje completo quarenta anos de passeio por aqui. E, rapaziada, como me divirto... Vida difícil? Difícil é largar o osso. Quero ficar até quando os neurônios cansarem e forem apagando o salão em sinapses preguiçosas. Por fim virarão de lado para dormir. Aí é só esperar o desembaraço e começar tudo de novo.