
Esteja na paz de Deus, meu amigo. Por enquanto, ficamos aqui na guerra.
Aqui tem: Atualidades, idéias (doidas ou não), poesia, paixão, desejo, indignação, perplexidade, fé e muita fome de viver.




E nunca é mesmo tarde para acordar para a vida.
Sei, é clichê.
Não podia deixar de ser.
Mas não são também a felicidade, o amor,
a dor e toda a sorte de sentimentos?
Quem da vida destes não ganha
Passa para a morte sem diferença mínima,
Como se muda de calçada:
Não muda nada,
Apenas o lado da terra pelo qual se caminha.
Não sei quanto a vocês,
Eu quero minha vida repleta de clichês.


A tempo de ver o carro dobrando a esquina.
Ouvi o distanciar do bangue-bangue
Enquanto enrolava-se em agonia e sangue
O corpo esguio da menina.
Pararam um táxi para prestar socorro.
Acomodaram-na com cuidado,
Usando uma colcha emprestada como forro.
A polícia chegou,
Ninguém viu nada,
Todo mundo nada sabia.
A única testemunha era o sangue no passeio
Por onde passeávamos todos os dias.
No breve silêncio desta soluçante realidade
Só me resta ter saudade de outros barulhos:
Das crianças brincando de bola,
Pique, carniça, saladas mistas tendenciosas,
De inocentes polícia e ladrão.
Da sineta do pipoqueiro,
Do carrinho de sorvete,
Da cigarra na bicicleta do garoto trazendo o pão.
Valha-nos o Deus destas cidades!
Do meio-fio da navalha por onde andava o sossego,
Antes de ser pego de surpresa
E tombado sobre o tabuleiro pintado
No tampo de pedra da mesa.
Existe hoje no local um modesto altar
Onde pedem graças os desvalidos,
Diante uma pequena cruz e algumas imagens,
Velas acesas e pedaços de papel com pedidos e mensagens,
Todas elas fartas em fé e sofrimento.
- Continuam sendo feitas apostas naquela placa de cimento.
Valha-nos o Deus dos lares de paredes finas,
Das janelas sem blindagem e sem cortinas.
Dos túneis, vias, dos bares pela cidade,
Dos bordéis, motéis e até da Igrejinha da comunidade,
Onde a celebração matutina foi interrompida
Quando uma bala perdida estilhaçou os vitrais,
Partindo em pedaços a imagem da pomba da paz.
O povo tentou juntar os cacos
Mas eles não se encaixavam mais.

“Armas não matam pessoas. Pessoas matam pessoas.” O fdp que cunhou essa frase só podia estar de sacanagem. Já pararam para pensar no tamanho da idiotice? Se não fosse para matar, qual seria função delas? Um 38 como peso de papel? Alguém imagina um AK-47 escorando um varal? Valham-me Nossa Senhora dos Antibélicos e São João dos Coletes à Prova de Balas. Mas um Estado que diz “Estupra, mas não mata!” só pode gerar este tipo de distorção. Um Estado de verdade não deixaria acontecer nem uma coisa nem outra.
*Nas locadoras. Recomendo.

Por favor, desculpe-me.
Não era minha intenção
Acertar-te o coração em cheio,
Mas você pôs-se bem no meio deste fogo amigo
- Quiçá amado.
Foste inábil para saltar de lado
Ante o disparo dos versos,
Culpados por roubarem tão raras lágrimas.
Dispenso o recesso, o contraditório
E sua ampla defesa de palavras vazias.
Fui eu!
Sou o assassino confesso da tua apatia.
- O problema, Clotilde, é que eu falo pra cacete. Até quando estou quieta, desando a tagarelar em silêncio, comigo mesma. Dormindo ou acordada, parece existir uma multidão dentro da minha cabeça, igual a um mercado persa, gritando, urrando para ser ouvida. Cada um diz uma coisa, como em um pregão, oferecendo suas idéias para eu decidir qual tem mais ou menos valor. Aí você, sentada na outra ponta da mesa, olha para mim e comenta com a pessoa ao lado:-Olha a Quitéria... Como é calma! Invejo sua placidez.
-Placidez. Qual nada! Estou é discutindo...
Fiz um blog só para histórias, pequenos textos, o "Textículos de Jó". Passem por lá também e deixem suas impressões. Será muito legal recebê-los na nova casa. Aguardo vocês!