

Aqui tem: Atualidades, idéias (doidas ou não), poesia, paixão, desejo, indignação, perplexidade, fé e muita fome de viver.



Vi, no Jornal Hoje, uma reportagem (em um quadro chamado “Era uma vez...”) sobre o analfabetismo funcional. O que vem a ser isso? Bem, é o nome bonitinho, cheio de tecnicidades, dado para milhões de ocorrências de crianças analfabetas freqüentando a escola. No meu tempo (não tô nem aí se pareço um velho...), éramos analfabetos só quando entrávamos na escola. Depois, naturalmente, aprendíamos a ler e a escrever, e seguíamos em frente. Fazíamos as provas e trabalhos em busca de aprovação para o próximo ano. Quando acontecia de não conseguirmos, fazíamos tudo de novo. Não chego ao ponto de dizer que a escola preparava para a vida, pois a vida nem sempre dá chance de "repetirmos de ano", mas que ajudava, ajudava. Lidávamos com a responsabilidade, com a superação, com o sucesso e o fracasso. Diferente de meu amigo João, que exibe orgulhosamente seu impecável boletim (impecável mesmo. E exibe até hoje, com justificado orgulho), eu tive algumas páginas não tão brilhantes no meu histórico escolar pós primeiro grau. Confesso: Tenho dificuldades com ciências exatas. Costumo dizer que adoro matemática (e é a mais pura verdade!), mas ela não gosta lá muito da minha pessoa. Sempre fui um “ser” de comunicação. Mas sempre fui, também, um “ser” teimoso, impulsionado pelos desafios. Na hora de fazer faculdade, eu acreditava ser muito cômodo cursar jornalismo ou publicidade (trabalhava como redator publicitário na ocasião). Tinha muito contato com o conteúdo do curso e este não me desafiava em nada. Fui fazer o quê, então? Na época, engenharia de sistemas (depois virou informática e, por último, ciência da computação) e todos os seus cálculos e físicas. Sufoco total. Onde quero chegar? O governo, em seu mais absurdo desgoverno, acredita ser traumático demais para uma criança ficar reprovada na escola. Para nossos “caciques” a solução “alternativa” é a aprovação automática. Para mim, não há essa tal “alternativa”, a solução é uma só: Estudar, porra! Conheço muita gente arrependida por ter largado os estudos, porém nunca vi ninguém traumatizado por ter ficado reprovado na escola. Hoje cheguei ao absurdo de ver , na matéria do telejornal, um menino de dez anos traumatizado por ter sido aprovado sem saber ler. Atualmente, ele cursa(?) a quarta série do ensino fundamental (fundamental para quê, mesmo?). Esse menino é um dos milhões de “produtos” da idéia do governo, onde o “traumático repeteco” pode ser explicado pelas contas e não pela “cuidadosa” psicologia: O motivo real é o custo de repetência, quanto é o gasto do poder público por criança em uma escola municipal. Esperem aí: Quanto é gasto? Desde quando preparar um cidadão é gasto? E eu ainda me admiro quando vejo qualquer aluno, de qualquer país na nossa "subdesenvolvida" América Latina dar de dez a zero nos nossos, por exceção, “emergentes” compatriotas. Tornamo-nos um país onde a ignorância é subsidiada pela falta de respeito com a educação. Podemos gastar fábulas com viagens, cartões corporativos, compras superfaturadas, salários astronômicos... Mas vamos economizar no ensino. Qual é o futuro de um país assim? O interesse político na ignorância para a manutenção do status quo não parece teoria da conspiração, é a conspiração na prática! Estão roubando o futuro das nossas crianças! Afanando-lhes a oportunidade de serem pessoas capazes de encarar a vida, superar obstáculos, de vencerem, perderem, empatarem. E estarem sempre prontas para entrar em campo e jogar novamente. O resultado é W.O. na certa.



Hoje acordei cedo (tá legal, nem tão cedo assim). Sob o sol de domingo, dirigi-me a uma escola perto da minha casa. Bem perto mesmo, cerca de duzentos metros. A fila não estava grande mas andava pouco por causa da pista seletiva de idosos, gestantes, pessoas com necessidades especiais e carregadores de criancinhas (vi a mesma criança com, pelo menos, quatro pessoas diferentes). Nada contra os idosos, as gestantes e os portadores de necessidades especiais... Só acho que o pessoal zona eleitoral devia organizar melhor a distribuição, pois a sessão onde eu estava era a primeira e acabava todo mundo indo para lá. Fazer o quê? Acho que, se fosse para organizar, não se chamaria “zona”. De qualquer forma, toda a vez que voto ou preencho um formulário de justificativa eleitoral, sinto-me enganado. Justificar o quê, afinal? Que p. de democracia é essa? Não posso exercer o meu direito de não confiar em nenhum candidato e simplesmente não votar(e obviamente não precisar justificar coisa alguma)? Sou obrigado a comparecer a uma “organização” eleitoral e votar, nulo que seja, ou justificar, quando os candidatos é que deveriam justificar a minha falta de opção. Talvez eu esteja errado e ser democrata seja isso mesmo, bradar pelos direitos e descer a porrada em quem faz algo diferente da sua visão de direito. Um processo "democrático" que começa com uma propaganda eleitoral obrigatória só pode dar nisso...

Somos tão burros, às vezes...
- Sem ofensa aos animais -
E a burrice me irrita tanto ou mais
Que a corrupção ou a deslealdade.
Talvez seja a estupidez a mãe de todas as iniqüidades.
Não confundamos com a falta de cultura,
Epidêmica em nosso convívio
E da qual eu também sou criatura.
Falo do obtuso pensar, assassino do amor,
Do respeito e do futuro do nosso presente,
Cada vez menos verbal,
A cada minuto mais venal,
Na troca da atenção à detenção pelas pequenas coisas.
Ou, pior, por coisas inexistentes.
Recusar-se a seguir em frente, duvidar dos princípios,
Complicar os relacionamentos em prol de uma vã psicologia...
Pagã filosofia.
Jogamos fora a água para chorarmos de sede ante a garrafa vazia.


"Estou em paz com o mundo,
Sempre li sonetos. São difíceis de dizer sem aquele tom declamatório, por causa da rígida métrica. Para quem não sabe, cada uma das quatorze linhas de um soneto é composta por dez ou doze sílabas poéticas (não é a mesma separação de sílabas utilizada por nós normalmente). Não vou me alongar para não ficar chato, mas acabei descobrindo que o soneto de doze sílabas(ou dodecassílabo) é também chamado de Alexandrino. Acham o quê? Tive que tentar escrever um, ora bolas. Então, um Alexandrino... Por Alexandre.Alugado
Hoje passei um dia muito esquisito,
Coalhado numa angústia retinta.
Tomaram-me crenças em que não acredito
- Talvez a mente para mim mesmo minta.
“Coisas” de gente dum pensar erudito
Cujo sentir nada mais saiba ou sinta.
Emprestei então o meu peito contrito
À angústia esvicerada e faminta
Cercou-me, acinturando-me o plexo;
Reles, e emocionadamente sucinta,
Num taciturno e insular amplexo.
Por fim, em sua retina vi meu reflexo.
E ouvi da face pálida e distinta
Um sussurro conformado e desconexo.
Ando tentando escrever, não consigo. Tenho vontade, mas os pensamentos passam muito rapidamente, acima da capacidade da fotocélula do meu radar. Vi umas teias por aqui e resolvi limpar um pouco. Estou olhando as janelas, tudo ok. As entradas são permitidas, podem usar a porta da frente. Vejo que trabalhamos e estudamos, tentamos ganhar mais dinheiro das formas ao nosso alcance... Pelo menos sigamos os bons exemplos (Que não são necessariamente os que deram certo). Acusam a vida não ser justa. Ouço-a retrucar: “-Não sou mesmo. A JUSTIÇA não é justa, ou não cederia tanto. Parece mais um tecido surrado e esgarçado!”. Escutei ontem, por acaso (Acreditem...), uma abastada senhora reclamando da vida. Nunca vi ninguém questionar se merece as dádivas recebidas. A vida, graças a Deus é feita de curvas, alguns retornos e muitos pedágios. Mas não se iludam. Não ansiamos tanto assim por felicidade, dinheiro, fama, sucesso, saúde, paz, amor... O que caçamos, desesperadamente, é um animal chamado “tempo”.
Obrigado meu Deus, por eu estar aqui.
Por todos os poucos problemas que enfrentei,
Pelos muitos erros que cometi,
Por cada lágrima que chorei.
Por me fazer acreditar em não falar sozinho.
Por cada pedra que colocastes em meu caminho.
Obrigado por eu sofrer
E perdoe-me por ter sido a causa do sofrimento de outrem.
Aproveito e agradeço de antemão
Pelo sofrimento dessa outra irmã ou desse outro irmão.
- Eles podem não entender ainda o valor do quinhão.
Obrigado por me estender a mão e indicar o caminho
E por me fazer capaz de enxergar o pouco que consigo ver.
Obrigado pela minha consciência em meu não saber
E pela sua paciência em me ouvir, independente de meus pedidos negar ou atender.
Obrigado por acolher-me em suas mãos como se fosse um berço
E por oferecer-me sempre algo infinitamente melhor do que mereço.

Dizem de quem quase morreu:
Nascestes de novo!
Ao perigo iminente
Deu-se o status de parto,
E de mãe a uma quase tragédia.
Estou é farto desses absurdos,
Lugares comuns em tragicomédias.
Puxasaquismo com os cultos
E com os “religiocratas”.
(Ponho-me, de tão modo puto, a inventar palavras)
Nasço de novo todo ano,
Em junho, dia dezesseis.
Não dependo de quase morrer para comemorar.
Vida é festejar, um dia de cada vez
- E por todo o calendário -
O advento da data.
Não existe felicidade adquirida.
Pode estar ela adormecida,
Mas é sempre nata.
É parte, não à parte.
É o que compõe,
Não o que resta.
Parece até irresponsabilidade
Mas, na verdade, comemoro sempre
Pois não há garantia
Da minha presença na próxima festa.
A quem simplesmente espera pelo dia
Meus parabéns antecipados.
Não defenestro, tampouco me junto a estes.
Esperem sentados até que alguém diga:
Mais um ano, de novo, quase vivestes!
Nossa! Já faz mais de um ano do início do blog. Culpa do David Lima. Isso mesmo, qualquer queixa, postem no blog dele “A Laranja de David Lima” (está nos indicados, no canto direito da página). Aproveitem para ler: É muito bom. Podem acreditar, não tenho grana para ficar rasgando seda à toa (até estopa estou economizando). Hoje completo quarenta anos de passeio por aqui. E, rapaziada, como me divirto... Vida difícil? Difícil é largar o osso. Quero ficar até quando os neurônios cansarem e forem apagando o salão em sinapses preguiçosas. Por fim virarão de lado para dormir. Aí é só esperar o desembaraço e começar tudo de novo.
Não quero abraçar-te demais,
Beijar-te demais,
Querer-te demais
Ou sequer fazer-te um carinho a mais.
Amo-te tanto quanto é possível amar alguém,
- Para muitos um lugar inalcançável.
Admitir que te amo demais
Seria ter a pretensão de medir um sentimento imensurável,
O qual, em movimentos lépidos,
Zombeteiramente escapa de quaisquer sistemas métricos.
Admitir que te amo demais,
Seria professar a possibilidade da existência
De um menos gostar de ti
Quando não existem reticências
Tampouco aqui ou acolá,
Medida certa ou errada.
Existe amar
Que é tudo,
E mais nada.
Minha razão toma-me de assalto,
É bruta, eloqüente, mordaz,
Capaz de atirar para o alto
Uma cristaleira das mais raras
Por um simples momento de paz.
É a senhora cujos caminhos sigo
Sem questionamentos.
Entrego-a em penhora meu destino
Sem a menor garantia de emolumentos.
Por vezes é até cruel,
Mas não guardo ressentimentos
Ela não faz por mal,
Cuida de mim como fosse minha progenitora.
Incentiva, agoura,
Espanca sem dó,
Afaga, lambe as feridas,
Aconselha-me quando estou só.
É odiada, é amiga,
É sábia sem medida.
Tão racional é minha razão...
Sabe até quando deve calar-se
E deixar falar apenas o coração!
Fiz um blog só para histórias, pequenos textos, o "Textículos de Jó". Passem por lá também e deixem suas impressões. Será muito legal recebê-los na nova casa. Aguardo vocês!