- Os mais velhos primeiro

- Agora, o Papa...
Aqui tem: Atualidades, idéias (doidas ou não), poesia, paixão, desejo, indignação, perplexidade, fé e muita fome de viver.












São quase quatro da manhã de domingo.
Eu, abandonado por você e pelo sono,
Escrevo esta canção singela.
Batuco no teclado
Enquanto as notas cantarolo, à capela.
Penso em um refrão
Tão bom de repetir como “te amo” era bom de te dizer.
Penso mesmo é em você,
Não longe do alcance do meu olhar
No máximo de zoom que ele puder dar.
Penso no teu toque
Enquanto dedilho o aço
Das cordas tensas do meu violão.
Prestes a partir em pedaços as notas,
E rabiscar de vermelho a pele da minha mão.
Ouço com a alma, de olhos fechados,
Passos na escuridão.
Sinto aumentado o batuque no peito,
E espero...
-Aquele último segundo,
Para ser sincero,
Parece que foi feito maldição:
Sinto que podia ter dado a volta ao mundo
Em cima de um pedaço de sabão.
Dei a luz às retinas,
Abrindo as cortinas dos olhos.
Não havia mais ninguém parado frente o meu destino,
Para dividir comigo esse amor de um só dono.
Ouvi o desafino na nota e no cantarolado,
Desatino entre passos e passado.
Não era você chegando, só o sono pesado.



Eu costumo dizer que o reinício é sempre muito pior do que o começo. Quando retornamos à atividade física ainda temos a memória do que éramos capazes de fazer quando bem condicionados. Na primeira semana de retorno exercitamos basicamente duas coisas: Paciência e Humildade. Esse pensamento evita que eu force em demasia o corpo, ansioso para alcançar o condicionamento perdido. Repito continuamente para mim o mantra “Calma, um passo de cada vez...” . Comecei, na última segunda-feira, um programa cujo objetivo é correr 5 K. Nada demais para quem está acostumado:
Criei essa marca para este meu “projeto particular”. Ficou bem legal, não é? (Não acha? Então, não responda... Hehehe).

Ajudemos os necessitados de felicidade a superarem seus traumas!
Vamos levar-lhes migalhas de alegria,
Envoltas em jornal com notícias boas!
Cairá sobre seus rostos uma calma garoa,
Lavará dos olhos o choro e, do chão, o leite derramado.
Estendamos as mãos
E lhes roubemos das almas os calos das tristes lembranças.
Doemos felicidade
A quem, de dor, doer-se.
Façamos viver de verdade
Quem cotidianamente morre
Pelas mãos impiedosas da saudade.
Prefiramos cada instante dos dias nublados, ao vivo,
Ao sol da foto na estante,
À carta e seus motivos esmaecidos,
Aos momentos por si só mortos
Quando foram, mesmo uma só vez, vividos.
Pergunta-me então se há tanto assim,
Ao ponto de poder doar-se.
Se há em ti tanto de felicidade,
Ou pelo menos o tanto
Quanto existem dois rins.
Mesmo a resposta, no caso de outrem,
Não caber a mim,
Intrometo-me de bom grado.
Exista felicidade,
Mesmo na ponta da unha do menor dedo do pé,
Suficiente já é para a caridade.

Minha médica estava a me perguntar sobre sonhos, por conta de um questionário de avaliação para o início das sessões de acupuntura (mais uma medida para tentar conter uma insistente dor no pulso esquerdo). Eu dei a mesma resposta de sempre e tive a mesmíssima reação de surpresa da contraparte. Nunca havia pensado em escrever a respeito, pois é, pelo menos para mim, de uma lógica tão básica... Em todo o caso, passei a achar interessante a surpresa na reação das pessoas à minha resposta, quando o assunto passa para o campo dos pesadelos. Não tenho muitos sonhos ruins. Gostaria de tê-los mais freqüentemente. Há! Imagino a expressão do seu rosto lendo isso... Calma! Você não entendeu errado. Gosto dos pesadelos! Admito: Os sonhos bons são legais. Mas não dá uma certa frustração quando você larga aquele seu iate nas Ilhas Maldivas, seu vôo solo sem aeronave, seu mergulho profundo sem necessidade de equipamento, enfim, todas as coisas que te dão imenso prazer em um sonho para voltar ao seu quarto, em uma manhã de segunda-feira ao som do rádio-relógio? Não? Então tá. Eu fico bem puto da vida. Com os pesadelos ocorre exatamente o contrário: Estou eu lá, sendo decapitado, atacado por abelhas, feito em pedaços em um ataque terrorista ou coisa bem pior quando, no background do sonho, o barulhinho do rádio-relógio me resgata para meu confortabilíssimo, quase nababesco quarto, em uma maravilhosa manhã de segunda-feira. Pulo da cama e, exultante, preparo-me para mais um sensacional dia de trabalho enquanto admiro pela janela a beleza dos tons cinzentos no céu. Percebestes a diferença?
Fiz um blog só para histórias, pequenos textos, o "Textículos de Jó". Passem por lá também e deixem suas impressões. Será muito legal recebê-los na nova casa. Aguardo vocês!