quinta-feira, 28 de julho de 2011

Tormenta

Vai meu coração
Como um avião sem asas,
Um botão sem casa
Solto no mundo.
Vai ao raso,
Mergulha fundo,
Suando em bicas.
Se acaba nos braços,
Pelo tempo de um pulsar.
Meu navio atraco
Sem ter a noção
De ser eu a embarcação
Cargueira das emoções.
O ponto fraco
De minhas amarras
É a madeira gasta do porto,
Capaz de me segurar
Apenas enquanto o mar
Faz-se de morto.
Pareceu me escutar:
A marola tira-me do prumo,
Na espera da borrasca.
O vento chega.
Não sopra segredos:
Grita impropérios
Enquanto despedaça as velas
Com seus dedos etéreos.
Eu vejo meus medos
Dançarem pelo convés,
Zombando do meu olhar mareado.
Cospem em meu rosto
Chuva com gosto amargo.
Adormeço à deriva.
O calendário devora os dias,
As horas escorrem-lhe
Pelos cantos da boca.
Momentos, migalhas,
Segundos espalhados
Sobre a mesa tosca,
Sobrevoados por um pequeno
Esquadrão de moscas
Zunindo no meu despertar.
O sol se opõe ao mar revolto,
Transforma os vagalhões
Em uma carranca de bronze.
Escuto as gaivotas na calmaria...
É.
Hoje é outro dia.

terça-feira, 5 de julho de 2011

A Palavra Castrada

Ancorei minhas verdades

Em um porto de metáforas,

Enquanto partia meu coração

Em uma prosopopéica odisséia

De pleonasmos múltiplos

Que se contorciam,

Emaranhavam-se,

Esfregavam-se,

Entregavam-se em uma orgia de línguas estranhas,

A revirar suas entranhas

Na tentativa de extrair esperança

Dum um último suspiro,

A derradeira concordância.

Viro quase uma preposição,

Sem disposição

Para qualquer posicionamento.

Uma voz passiva,

Quase muda

Sussurra imperativos obscenos,

Paulatinamente embuçados

Pelo véu das palavras não ditas,

Dos verbos não conjugados.

Só resta o ponto final,

Impotente,

Essa exclamação sem pau

Que não leva nada aos “finalmentes”.

sábado, 2 de julho de 2011

No avião (01/07/2011, em algum lugar entre DF e RJ)


Descortinei as pálpebras momentos após as rodas deixarem o chão...


Através da diminuta janela, saltou a escuridão dos meus olhos para o mundo,


Um abismo com pequenos pontos luminosos no fundo.


Parecia o céu ao contrário,


Um corolário de estrelas.


Se eu procurasse por Deus lá fora poderia jurar que Ele estava lá embaixo, em um reino qualquer.


Mas encontro mesmo Deus é em mim, num vôo solo pelo céu da minha boca.


Coisa louca isso de perder o olhar ao longe, como se existisse um criador que da criatura se esconde.


A criatura que o procura erguendo as mãos para o alto parece não saber o que procurar.


Deus está no DNA.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Encomenda para você (Alexandre Damasceno. DF 30062011)

A idade veio bater em minha porta.
Estendeu-me um grande embrulho
Com papel pra lá de desbotado.
Procurava o velho,
Dono da casa.
Respondi, de forma educada:
“- A senhora dever ter se enganado.
Eu sou o proprietário e, como bem pode
Ver, minha idade nada tem
De avançada.”
Seus olhos fitaram os meus por um breve instante:
“- Desculpe-me o engano, meu jovem.
Porém, não obstante o equívoco da
Expedição de encomendas,
Acredito haver aqui algo seu.”
- Disse, oferecendo-me seu melhor sorriso
E um pequeno pacote cor de breu.
Tinha meu nome na etiqueta.
Reconheci a datilografia.
Quem usa máquina de escrever hoje em dia?
Na ânsia curiosa de conhecer o conteúdo, rasguei o papel.
Seus pedaços flutuavam ao meu redor
Por tudo quanto era lugar aonde chegava o ar.
Espantado com a arrumação,
Aquietei-me, esperando que a poeira baixasse.
Os retalhos continuaram a circundar-me
Como um grande tubarão.
Então percebi:
Cada pedaço rasgado
Era um retalho do meu passado.
Eu via imagens e sentimentos dançando à minha volta!
Sons, cheiros, cores,
Amores e decepções,
Felicidade e Revolta.
Riso e lágrimas alternavam-se de braços dados,
Rodopiando tal qual quadrilha em festa de São João
Quando as lembranças finalmente
Cessaram de brincar,
Fugindo das minhas mãos,
Deixei-me cair no chão frio.
Enquanto o silêncio sacudia minha alma
Como uma rajada de tiros dentro d’água,
Usei o dorso das mãos
Para secar a face.
Estranhei sentir ranhuras na minha pele.
Levantei e fui até o espelho do banheiro
- Demorei mais que de costume.
Parecia estar em uma montanha
Tentando alcançar o cume.
Vi um reflexo.
Era um tanto quanto
Sem nexo:
Parecia comigo
Mas, onde passaram lágrimas sorrisos
Existiam vincos,
Pequenas cordilheiras erodidas no rosto.
Sorri, e um sorriso tosco
Brotou no canto da boca da face que me encarava
Aturdido, apoiei-me na aldrava para voltar ao quarto
Estava tudo limpo e arrumado.
Sobre a cama,
Apenas um grande embrulho
Com papel pra lá de desbotado.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

MEC – Minixtério da Educassão e Cutura


Há algum tempo atrás eu escrevi aqui no blog sobre o analfabetismo funcional, certo? Errado! O uso de “Há algum tempo” dispensa o redundante emprego da palavra “atrás”. Ou será que não? Ao que parece, o MEC está querendo mesmo é dispensar o uso de professores. Seguindo o exemplo do monstro criado pela omissão do governo em avaliar os estudantes (que produziu aberrações como crianças analfabetas cursando a quinta série), outra ameaça paira sobre a educação no Brasil: Uma corrente de pseudo-intelectuais defende, em livros chancelados e distribuídos pelo MEC, os mais absurdos “conceitos”. Em matéria intitulada “Os adversários do bom português” publicada pela revista Veja, edição 2218, as repórteres Renata Betti e Roberta de Abreu Lima revelam trechos dos livros didáticos nos quais os estudantes são encorajados a falar errado. Pérolas como “Você pode estar se perguntando: Mas eu posso falar ‘os livro’? Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação você corre o risco de ser vítima de preconceito lingüístico...”. Em um sistema lógico, tudo começa pelo ensino. É o ponto de partida para a formação de cidadãos conscientes e profissionais qualificados. Essa equação atrai o desenvolvimento social, cultural e econômico. No caso do Brasil, parece um bullying cultural (usando a palavra da moda para justificar a conduta de sociopatas e a incompetência dos pais): O vernáculo pode ser maltratado à vontade, mas as crianças não podem ser traumatizadas com reprovações ou mesmo correções. Ok, deixemos as crianças crescerem e então terem idade suficiente para serem ridicularizadas em entrevistas de empregos, concursos, vestibulares ou em uma simples comparação com os níveis culturais dos nossos vizinhos “menos desenvolvidos”, aqui mesmo na América do Sul. Quem ganha com isso? Fácil: Alguém que precisa de eleitores iletrados.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O avesso (Alexandre Damasceno)

Se todo o meu tempo


No mundo


Fosse pra você


E todos meus pensamentos


Tivesse que te dizer


Meus mais profundos segredos


Meus medos


Seriam, num estalar de dedos,


Seus;


E eu


Não seria


Mais eu.


Por isso bata na porta,


Toque a campainha


Quando quiser entrar;


Pois a alma


É uma casinha


Onde só uma pessoa


Pode morar.


Não queira domar


Meu desejo,


Me comprar com um beijo


Ou me vender,


Me trocar;


Como aquela roupa


Que, no provador,


Você jurou gostar.


Eu te vi pelo espelho


E minha pele lhe caía bem,


Mas o que ela vale


Nem você,


Nem ninguém tem.


É foda:


Por isso hoje estou fora de moda.


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Cantar é um barato...


Uma festa de aniversário.
Duas aniversariantes, mãe e filha.
Traje brega chique
Duas bandas
Um monte de malucos no palco
Outro montão na platéia
Esses ingredientes fizeram uma noite inesquecível.



quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Cai o pano.


Lentamente fecham-se as cortinas



Enquanto desce as escadas,



Dissolvendo-se na escuridão rumo à coxia.



Uma breve pausa no caminho



Para lançar o olhar cansado sobre os ombros



Como a tentar alcançar um passado, recente,



Mas, inapelavelmente passado.



Cai uma lágrima,



Enquanto aperta contra o peito



A bolsa de couro rústico,



Sua herança de memórias,



Alegrias, tristezas e tudo mais



A que se permitem os humanos.



A cortina abre-se novamente



E a claridade explode em sons,



Sinos e cânticos, estilhaçando-se



Em cores, cheiros e sabores de festa,



Empurrando-o de vez para os bastidores.



É o que resta:



Tempo de descansar.



É hora de deixar outro ano brilhar.






Feliz 2011 para todos!!!! Que vocês sejam felizes, compreendendo que isso nem sempre significa a realização de todos os desejos. Tem um 'cara' que sabe melhor do que nós qual caminho devemos seguir. É só confiar nele...

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Desejo antigo.


Descanse em paz.






No Regrets


Eu não quero ter mais tempo

Não quero ter tido ou dito

Mais ou menos de nada

Não contabilizo momentos

Não coloco em uma despensa

Potes com sentimentos.


Minha vida não tem retrovisor

Para as lamentações

Desilusões e dor.

Às vezes, apenas repasso as ruas

Por onde fui feliz:

Por elas tenho apreço.

Sigo depois, sem mais,

Para um novo endereço.


Não coloco preço no meu sucesso,

Não peço milagres,

Minha fé melhor não é

Que a de ninguém,

Não sou quem diz

As maiores verdades

Ou guardo os piores segredos.

Não dou ouvidos

A todos que me chamam.

Tenho medo de ser esquecido,

Mas apenas pelos que me amam.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A poesia perdida (SP 28/03/2010).


Em um quarto de hotel,

As coisas espalhadas.

O copo vazio

- Não meio cheio.

E eu tentando juntar-me.

Celular, ipod, laptop conectados

Eu não:

Umplugged do mundo,

Olho o céu escuro de São Paulo.

São nove horas no oitavo andar.

Ponho-me a perambular,

Ir, voltar e batucar nas teclas

O som das idéias tentando fugir.

Capturo algumas.

Outras realmente se perdem,

Como a de hoje, na sala de embarque.

Era linda,

Mas eu não registrei,

Não a sussurrei no gravador do celular

Não fiz nenhuma mísera anotação,

Sequer um garrancho

Em um pedaço amassado de papel.

E agora ela está irremediavelmente perdida

Como a luz no escuro desse céu.

Eu a perdi como se perdem

Todos os possíveis grandes amores:

Não disse que a queria,

O quanto era importante para mim,

Quanto significado carregava

Em suas poucas palavras,

Em sua efêmera história.

Definitivamente,

Meu coração odeia minha memória.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Crime e castigo

As coisas feitas em nome da poesia?

Cometemos verdadeiras atrocidades

Casando palavras inconciliáveis

“– Todas as tardes esperava-te... E escrevia-lhe como se noite fosse por dias
incontáveis...”

Percebestes o absurdo?

Tento deter a caneta

Ao incontrolável desejo de escrever algo terminado em... MUDO!

Sou dos criminosos confessos:

Rimo amor com dor,

Alegria e apatia,

Rimo a moça bela, à luz da vela

Debruçada sobre o peitoril da janela

Na casa pequena de portas amarelas.

Mas há dias nos quais rimo nada,

Apenas idéias sem eira nem beira,

Palavras sem parentesco explícito,

(Talvez com um DNA...)

Nuvens nubladas por suas irmãs,

Reunidas mais perto do chão,

Dão-me a sensação de estar prestes a me molhar.

Odeio guarda-chuvas!

Sinto-me um idiota de cabelos secos

Encharcado do pescoço para baixo

Por uma zombeteira ventania.

As hastes finalmente dobram-se

À força do vento,

Os sinos da igreja também dobram

Como a rirem-se de mim.

Comecei arretado, acreditando-me um verdadeiro repentista,

Por fim pode ser até merecido, o resfriado.



segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Nem sempre é possível rimar poesia com alegria.


O ruim de ser uma pessoa inquieta

É sentir-se profundamente desconfortável

Com a própria zona de conforto.

É ser um navio sem âncora,

Sem porto.

É o eterno balançar das pernas,

Bambas por não saberem esperar.

É o respirar curto e apressado

No qual o ar nem bem é saboreado

Pelas árvores alveolares no peito.

É um pleito pelos momentos novos

Quando estes nem velhos ficaram ainda.

Quando, nem finda tarde,

Quero lua,

Quero sol,

Quero viver com uma pressa de escrever,

De cantar,

De dançar,

De correr,

De amar.

Uma pressa que não é minha,

E talvez por isso apresse-me em passá-la adiante.

Tenho esperança de que a idade

Vá mandando a ansiedade embora.

Mas ela já está chegando,

Sem hora, mas com rugas marcadas.

E eu continuo perdendo a razão

Para o medo de perder tempo.

A insanidade de ser feliz com todos

E triste consigo mesmo.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Enfim, um dia. (DF, 29062010)


Acordei velho.


Ontem não era.


Trocaram-me, dormindo,


Por esse corpo enrugado


Que me olha do espelho,


Nu, sem pêlo.


Sinto as gengivas baterem


No mesmo ritmo do frio


A maltratar minhas juntas.


Arrasto os pés pelo chão gelado


Até perto da cama.


Visto um pijama de flanela


Enquanto vejo, pela janela,


O jovem que eu era


Desaparecendo no final da rua.


Com as mãos trêmulas,


Pego papel e caneta


E vou até a escrivaninha.


Debruço-me sobre a folha.


Ela espera-me como uma virgem,


Pálida.


Nada.


Estou impotente ante seus apelos.


Da minha cabeça


Não brotam mais palavras,


Apenas caem ralos fios de cabelo.



Despedida (DF, 29062010)


Vou embora.


Já estou atrasado para rir de tudo,


Jogar fora as fotos


Que ora tomam espaço sobre o criado-mudo.


Não faço a mínima questão de ocupar


Minhas memórias com suas máximas.


Tenho pás ao invés de mãos,


E um coração livre de arrependimentos.


E isso é tudo que preciso para enterrar nossos momentos


Nas covas de seu falso sorriso.


Dedicar-te-ei estas últimas linhas


Apenas para dizer que, de você,


A ausência é o maior presente.


Não há mais gestos cujos gastos justifiquem-se.


Nada sobrou: Nem pena, tampouco pedras,


Qualquer saudade,


Ou mesmo um pingo sequer de maldade.


Sei que não será fácil,


Mas aceite estas palavras minhas.


Elas são a verdade que falta


Entre as breves linhas do seu epitáfio.



segunda-feira, 28 de junho de 2010

A verdade sobre as crianças


Quando era criança,


Tinha tempo para ver o tempo passar


Era brincadeira o sol,


O sal,


O céu,


O mar.


O projeto que hoje a vida permeia


Era apenas um belo,


Singelo castelo nas brancas areias do Grumari.


O, hoje, cidadão,


Um guri de cabelos desgrenhados


Com balde e pá nas mãos,


Acompanhando o movimento ritmado


Dos ventos e das marés


Com os pés dentro d’água,


Sem mágoas cheias ou vazantes,


Passado em fotos nas cabeceiras,


Paredes, estantes.


As crianças não são


Simples seres humanos.


Vejo-as brincar intimamente


Com as belezas do mundo


E aquele instante


Parece durar eternamente.


Vejo meu reflexo


Naqueles olhos sempre atentos:


Os olhos das verdadeiras donas do tempo.


domingo, 9 de maio de 2010

Uma linda propaganda

Isso é o que acontece quando a excelência da direção e o talento dos atores encontra a química perfeita. É uma das mais belos VTs que já vi. Parabéns ao Marketing da GM e sua agência de propaganda.


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domingo, 2 de maio de 2010

Enquanto a chuva não vem




Em 7/4/2010, de Tamandaré - PE



Minha alma chora

Vejo o Rio de Janeiro

Esvaindo-se na água barrenta,

Nas lágrimas,

Nos gritos

Dos que não mais agüentam

A rotina de desenterrar casas

E enterrar pessoas.



Eu vejo as imagens na TV na distante segurança de um ensolarado dia de férias. Sinto-me terrivelmente culpado. Lembro do dia em que minha casa foi levemente invadida pela água. Na ocasião, nada se perdeu. Mesmo assim, era terrível a impotência de ver a água subindo. Escuto os locutores dos telejornais declararem ser a pior chuva dos últimos quarenta anos na cidade. Já presenciei algumas bem ruins também. Assisto as imagens das pessoas desesperadas e revoltadas. Revoltadas com os céus e com o governador, esse último por ter jogado a culpa das mortes nos próprios moradores das áreas de risco. Revoltante? Revoltante e injusto. A culpa não é só deles. As chuvas tendem a piorar, dadas as alterações climáticas provocadas por nós mesmos, no mundo inteiro. As enchentes também, pela maneira como emporcalhamos as cidades, entupindo os bueiros quando precisamos deles. Por isso me sinto culpado. Somos um bando de irresponsáveis cobrando responsabilidade. É triste contabilizarmos os mortos, mas não pensamos neles quando jogamos fora os sacos e garrafas plásticas sem nos importarmos para onde irão. Se forem formar uma ilha de sujeira no meio do oceano, aonde nunca iremos, tudo bem. O problema é quando resolvem nos acordar no meio da noite.


domingo, 14 de março de 2010

O Crupiê de Lembranças (DF 14/03/2010)


Passaram por mim

As priscas eras

E primaveris infernais outonos.

Ao abandono das folhas

Deixavam-me as caras companhias

Como os copos quebrados

Saudadeavam a cristaleira vazia,

De onde São Francisco

Tudo assistia.

Um olhar de barro

Sobre a poeira das ausências.

Os remédios sobre a cômoda

Dão-me a incômoda sensação

De estar trapaceando.

Ainda ando, trôpego,

Tropeçando nos degraus

Dos portais,

Os quais só notei

Depois dos setenta e muitos anos.

Ou mais.

Meu olhar embaçado

Tenta distinguir em fotos velhas

Os traços finos,

Idos da época em que o cristalino

Ainda não havia me traído.

Pergunto a Deus,

Aos anjos e santos

O que fiz para merecer isso.

O que fiz para viver tanto?

Não quero mais

Fazer parte da história.

Antes, jogava cartas.

Hoje apenas embaralho memórias.



quarta-feira, 3 de março de 2010

De volta à ativa...



A poesia é de quem lê (DF, 02/03/2010)


Já andei por becos,


Bocas, línguas e dedos;


Arranquei suspiros,


Gemidos,


Apelos;


Atraí olhares


De faces distintas;


Sorvi lágrimas servidas


Em meu já servido papel.


Entendi quem errou


Tentando me entender,


Pois eu mesmo já não consigo


Decifrar as linhas,


Outrora minhas,


Agora tão seqüestradas


Por outros sentidos.


É tarde:


Pouco importa o que eu queria dizer


De nada interessa no quê acredito.


A poesia só era minha


Enquanto não a havia escrito.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Mais música...

Farra depois do trabalho...

Guitarras: Sandro e Thales

Baixo: Marcelo

Bateria: Plínio

Teclado: Gustavo

Vocal: Alexandre

Filmagem, água, cerveja: JP (o pai do Thales)


New Year's Day - U2

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Like a Stone - Audioslave

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Diversão/Comida - Titãs

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domingo, 20 de dezembro de 2009

Milhares de sambas

Calma, é só um! Cantado pela Ana Carolina no original. Estragado por mim, em particular, hehehe.

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O rock é um risco...

Hi! Depois de longo e tenebroso inverno, volto a postar. Desta vez, não é poesia. Pelo menos, não escrita. A galera do trabalho resolveu reeditar o festival de talentos que começou antes de eu chegar por aqui, o inimitável "Rock In Risco". Juntamos colegas, filhos de colegas, amigos de filhos de colegas, enfim, quem não tivesse vergonha de fazer bagunça. Esse é um pedacinho... Como eu me diverti! Com vocês... Rock In Risco 2009!!!


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terça-feira, 4 de agosto de 2009

Obrigado por ter te conhecido.

Há momentos onde a morte parece nos assaltar por todos os lados
Como um batalhão armado com spray de pimenta
Tornando a visão curta, avermelhada, lacrimosa
Na tarde cinzenta em que lamentamos por nós.
Apelamos ao Cristo, à Buda, à Oxalá
Ou seja lá qual fé seja
- Uns preferem cachaça, outros cerveja.

Apelamos ao cinismo, ao misticismo,
Mas nosso choro não é por quem está lá deitado.
É a combustão do egoísmo com nossa saudade medrosa,
Aquele nó na garganta por ficarmos mais um pouquinho sós.
É quando vemos nosso mundo,
Uma turma cada vez menor.

Parece complicado,
Mas não há mistério.
Em um cemitério as coisas parecem estrondosamente simples.
Enquanto os soluços e as vozes embargadas atrapalham seu silêncio loquaz,
O corpo de mãos entrelaçadas e fisionomia tranquila
É na verdade a única pessoa em paz.

Ela luzia por onde fosse.
Luzia pela vida,
Iluminando nossos dias com sua voz doce,
Com seu humor sempre disposto
A acender sorrisos em nossos rostos.
Sua luz não se apagou!
Podem dizer isso ao povo.
Basta fecharmos os olhos
E ela se acenderá de novo.
Portanto, não compete nesse caso uma perda
Cuja tristeza se faça jus.
Para mim, não houve morte.
Luzinete, enfim, virou LUZ.

*Leve nessa viagem todo o meu amor.

sábado, 21 de março de 2009

Niemeyer e Bento XVI. E depois sou eu que falo besteira...

  • Os mais velhos primeiro

Sou carioca de nascimento e coração. Apesar de todas as críticas à minha maravilhosa cidade (infelizmente, por culpa da omissão do poder público, 90 % verdadeiras), levo o orgulho de ser carioca para onde eu vá. Mas vivo no DF e, confesso, aprendi a gostar muito daqui. Quanto se fala da capital positivamente, uma das primeiras pessoas a ser lembrada é Oscar Niemeyer. Niemeyer não é apenas um cidadão brasileiro. É um patrimônio mundial. Obviamente (pelo menos para mim), isso não significa minha anuência a todas as suas opiniões. Passo todos os dias pela via que corta o Plano Piloto de norte a sul. O chamado "eixão" (foto acima) tem seis pistas (três em cada sentido) e é dividido por uma área pouco mais larga do que um ônibus (aliás, os governantes utilizam muito bem o espaço para promover a entrega de veículos).  A "divisão da pista" é pintada em amarelo e com pequenos refletores (olhos-de-gato). Vi na TV uma reportagem onde nosso arquiteto-mor criticava, classificando como "idiotice" a sugestão de colocar uma divisória na pista. Para ser franco, quando passei pela primeira vez pelo eixão, não pude deixar de pensar como alguém pode ser tão irresponsável ao ponto de não considerar a hipótese de um motorista perder a direção e invadir a pista no sentido contrário. Isso já aconteceu. E também vários atropelamentos (mesmo com a velocidade limitada a 80 Km, parece o antigo videogame das galinhas atravessando a rua. Na última semana um colega de trabalho atropelou uma pedestre. Para sorte dos dois, nada grave). Tentaram colocar um muro, ou um canteiro (que também não adiantaria muito, mas vá lá...) e Niemeyer foi contra, pois feria a beleza do projeto. Acho que ele esqueceu de uma coisa: O desenho é dele, e se alguém resolver meter a caneta e rabiscar ele tem todo o direito de não gostar. Mas as pessoas não vivem em um desenho. A partir do momento em que uma cidade sai do papel, os interesses a serem considerados são os da população. Por quanto tempo mais o governo vai por em risco a segurança dos cidadãos para não desagradar Oscar Niemeyer? Querem uma solução? Coloquem um muro de três metros de espessura, feito de material transparente! O Niemeyer não mora no DF. Não precisa passar pelo eixão. Acredito que os familiares dele também não. Deve ser por isso que ele continua tratando a cidade como sua maquete. 


  • Agora, o Papa...

O Papa Bento XVI chegou à África, o país mais devastado pelo HIV no mundo, e, em sua primeira declaração, condenou o uso da camisinha. Minha mãe que me desculpe mas é esse tipo de hipocrisia e imbecilidade que faz a igreja católica perder fiéis. Desde pequeno eu me pergunto:  Como os padres podem saber tanto sobre casamento se eles não se casam? E como ser tão hipócrita ajuda? Pregar o celibato? Que celibato? Depois dos escândalos de pedofilia? Isso, para mim, não é fé. A fé, no meu humilde entender, deve fazer-nos enxergar melhor. Essa outra, pelo contrário, só cega o povo. 

sábado, 7 de março de 2009

Sétima e oitava semanas... A partir da próxima segunda, série nova!




Eu sempre admirei tatoos nos outros. Só nunca achei que encontraria uma que eu gostasse o suficiente para ter e não enjoar. Pois bem. Concluindo a prova, tatuarei algo parecido com esta imagem. Será uma lembrança que quero carregar na pele.


Não postei na última semana porque o computador estava contundido. Saldo extremamente positivo. Por enquanto, parei na casa dos 91 Kg, mas o percentual de gordura continua baixando (que digam as roupas). A tolerância ao treinamento melhorou bastante, apesar de um probleminha no ciático. Uma dorzinha bem chata que estou tratando. Na sexta passada, fiz apenas uma aula de spinning para relaxar a musculatura. A freqüência cardíaca baixou mas ainda não é a ideal. Meus planos são de ir para a pista a partir de junho próximo. Por enquanto, cumpri religiosamente, nos intervalos das séries de musculação, os dez tiros por dia, alternando esteira e transport. Exceto às quartas: Não tem musculação, apenas 20 tiros nos dois aparelhos. No final de semana, no parque, estava fazendo o percurso no esquema 1 x 1 min (andar e trotar). Hoje, trotei direto 2 km (a 8,5 km/h) e depois andei por uma hora. Estou me sentindo bem. Continuarei progredindo devagar, seguindo o planejamento, dieta, RPG e muita dança de salão, se Deus quiser. Escuto muita gente duvidando, dizendo que é loucura. Gosto disso. Duvidar de mim nunca foi boa idéia. Eu mesmo sempre erro quando faço isso. 

  

Dia Internacional da Mulher


Sem vocês o mundo seria uma TV preto e branco, com um só canal. Tudo bem que ele só passaria futebol mas, sem saber, estaríamos perdendo os lances mais importantes das nossas vidas. 




Parabéns Mãe! Parabéns irmãs (sempre estiveram mais para irMÃES)! Parabéns minha amada! 

Parabéns a todas as maravilhosas mulheres. Não importa o tempo ou a distância. Deus derrame sobre vocês todas as bençãos para que continuem perfumando meus caminhos. 

terça-feira, 3 de março de 2009

MiscigeNAÇÃO: Qual é a sua cota?




Como todo brasileiro de origem, minha raça é pura. Pura mistura. Sou descendente de negros, índios, brancos e sabe lá Mendel* quais raças mais . Na minha certidão de nascimento consta a cor como "parda”. Preferia que estivesse escrito “mista”. Seria mais condizente com a realidade mas, tudo bem, deixa prá lá. Tenho orgulho das minhas origens e estou bem à vontade para falar sobre preconceito. O Brasil é um país preconceituoso e racista. São discriminados, negros, índios, gordos, feios, gays, lésbicas, mulheres em geral e, principalmente, pobres (de todas as alternativas anteriores). Dizer que todos são iguais perante a lei é uma baita hipocrisia. Nem a lei considera isso. Essa idéia de cotas, por exemplo, bebe na fonte das brilhantes soluções para a violência: Na sua incapacidade de  garantir a segurança, o Estado incentiva o reforço das grades, a instalação de circuitos internos de TV e leitores biométricos, a contratação de vigilantes , enfim, aprisionam o cidadão para não ter que tirar a bandidagem das ruas. Na mesmíssima linha, na incompetência em prover a população de um ensino igualitário e de qualidade, o governo promove um verdadeiro apartheid educacional. Continuando assim, não ficarei surpreso se daqui a pouco surgirem cotas em hospitais, escolas primárias, etc. As associações de defesa dos direitos costumam ficar bravas quando alguém critica o sistema de cotas. Elas ainda não se deram conta de que não esse sistema não defende os direitos, apenas legitima a separação. Pagamos impostos acachapantes! Segurança, saúde e educação deveriam ser direitos, não de brancos, negros, mulatos, azuis, amarelos, rosados, mas de TODOS. E obrigações de um Estado dito “de Direito” mas cuja atribuição principal parece ser encontrar atalhos para não cumprir seu dever.
* Gregor Johann Mendel( 1822 - 1884 ), pioneiro descobridor das leis da herança genética, nascido em Heinzendorf, na Silésia austríaca, região pertencente ao atual território da República Tcheca.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Desequilíbrio


Assistia aos telejornais.
A vida pode até ser bela
Mas o ser humano
É um  triste e doente poema.

Não aguento mais. - Agora sem trema.
A criança sentada no chão
Vê a lágrima rolar-me pela face,
Antes que eu disfarce com a mão:
"- Por que tá chorando, tio?"

Sem graça, rio.
Digo que os homens são todos tontos.
O menino joga a cabeça para trás
Em uma deliciosa gargalhada:
"- Tio, não esquenta. Qual é?
De tanto que o mundo gira,
Admira que eles ainda fiquem de pé..."



sábado, 21 de fevereiro de 2009

Sétima semana (Com carnaval e tudo)


I'm alive!! And kicking!!! Agora, melhor. Estou ficando cada vez mais confortável com a série. Carnaval, recesso na academia mas não na pista. Hoje, treino leve no parque. Segunda termino a dieta de proteínas e volto para a balanceada. De 97 Kg (peso corrigido) do começo do treinamento a 92 kg (até a última segunda. Devo ter baixado um pouco). Amanhã, parque pela manhã. Estava sentindo umas dores na parte de dentro dos dois joelhos. O problema era a relação pisada x tênis. Descobri que, como a maioria das pessoas, tenho pronação. Ainda bem, pois o tênis para quem tem pisada supinada é mais caro. Relutei um pouco, afinal sempre usei tênis caprichado para sair, não para malhar. O bom senso me convenceu de que, se pretendo correr distâncias consideráveis, preciso respeitar o corpo, dando-lhe o melhor equipamento possível. Então, investi uma graninha em um tênis legal para não gastar no ortopedista depois. A canelite não me incomodou mais graças ao reforço muscular. E vamo que vamo. No Carnaval, o grito é um só: "-Põe o pé no chããããooo!!!"

domingo, 15 de fevereiro de 2009

A poesia em julgamento (e alguma coisa da sexta semana)

Ok, estou na madrugada de domingo. Era para dizer algo sobre a sexta semana de treinamento, então vou rápido: Cansado ainda com a nova série,  e acabei pesando 100 gramas a mais. Exagerei um pouco no final de semana e a musculação também deve ter ajudado. 
Mas algo acabou por me incomodar muito mais do que qualquer dor muscular ou balança: Faço parte de algumas comunidades no orkut cujo assunto é poesia. Todas têm, nos fóruns, tópicos onde o participante publica sua poesia e critica a anterior. Confesso que cheguei a publicar algumas, pelas quais recebi críticas amáveis. Comecei a ler os tópicos com mais atenção e achei tudo muito sem sentido. Não gosto de criticar a poesia alheia (a não ser que a pessoa pergunte diretamente a minha opinião), pelo simples fato de que não me considero capaz para tal. A poesia é uma manifestação pessoal: Não importa se tem métrica ou não, se é bonita, feia, mais ou menos... Para mim, a pessoa que tem coragem de se arriscar e expor-se já merece respeito. No mais os sentimentos são dela, quem sou eu para julgar como dizê-los? Leio e gosto ou não. No primeiro caso, acabo lendo várias vezes. No segundo, leio mais algumas. Posso ter falhado em captar as palavras. Em um dos fóruns, um participante gabava-se da sua métrica  e cultura, depreciando os poemas sem rimas e métrica. Abusava do pernosticismo, recheando seus versos com verbetes de dicionário. Não vem ao caso minha opinião sobre a obra do indivíduo. Muitas vezes as pessoas lêem os meus escritos, dizem ter entendido, e explicam-me tintin por tintin algo que nunca passou pela minha cabeça enquanto escrevia. Fico feliz. Ler poesia é um exercício do momento de cada um. Li uma poesia minha escrita em 2000 e tive um sentimento totalmente diferente do original. Prefiro sempre receber um "não gostei" a um "não entendi". Aprendi assim: A poesia não é nossa. É sempre de quem lê.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Quinta semana.





Semana de trabalho pesado indoor. Pelo menos para mim, acostumado com as séries de musculação tradicionais. Ficava duas horas na academia só me cansava mesmo nas aulas de spinning. Vida nova: Séries curtas (de 30 a 40 min) e intensas. Exercícios feitos com menos carga (mas não pouca), e muitas repetições. Vamos à série:

Segundas e quintas, inferiores:  Cadeiras extensora, flexora e panturrilha (3 x o máximo até a falha do movimento). Entre cada série, nada de descanso: Tiro de 1 min no transport (elíptico). Carga 3 e rpm acima de 80. Abdominais supra e infra(pernas esticadas). 3 x o máximo, até a falha do movto.

Terças e sextas, superiores (adaptado por causa do pulso): Crucifixo, serrador, lateral(ombros), bíceps, tríceps francês (todos com caneleiras de 5 km presas nos braços. 2 X 20). Entre cada série: Tiro de 1 min na esteira a 12 km/h. Lombar (3 x o máximo, até a falha do movto. Abdominal oblíquo (3 x do máximo, até a falha do movto).

Quarta, cardio: 20 min de esteira (alternando 1 min a 5 km/h e 1 min a 10 km/h). 20 min de transport (carga 3.  Alternando 1 min de recuperação e 1 min a 90 rpm).

Foi a primeira semana da série. Como era de se esperar, cheguei à sexta-feira com as pernas pesando toneladas. Doía o corpo todo. Ontem, sábado, fui para o parque. Seguindo as orientações do professor, nada de corrida. Apenas uma tranqüila caminhada para relaxar. Voltei para casa depois de quase 10 km, caminhando e cantando e seguindo a canção. Para minha surpresa, as pernas terminaram zeradas. Nem sombra das dores! O único incômodo é resquício dos exercícios para a lombar e lateral da cintura. Mas isso é tranqüilo. Alimentação comportadíssima (vou pesar na segunda, depois eu digo) Até a próxima!