sábado, 26 de janeiro de 2013

Da fé não trago (Alexandre Damasceno - 22/01/2013)


Se não sou mais

Então nunca fui

De verdade.



O tempo

Não volta atrás

Nem para buscar

A saudade.



Abuso tanto

De pensar em você

Que penso até

Sem querer.



Mas o trem passou,

O caixão fechou,

Quem beijou, beijou;

Minha vez é morta:

Eu mesmo matei.



Seu corpo jazz

Por baixo dos contraltos

Aldravando a porta

Com as notas do meu sax

Enquanto vaga insone

Meu descanso em paz.



Quero sair,

Tenho-te fome e sede.



Pelas paredes,

Entre rachaduras

E ganchos de rede,

Incontáveis imagens

Testemunham minha falta

Pelas tuas paisagens.



Queria outra viagem...

Onde meu once upon a time

Não estivesse this mess

Não me importaria se fosse tudo miragem

E virasse areia quente sob meus pés.



Mas o trem já chegou ao fim.

As pedras da calçada

Já nem se lembram mais de mim.

Nenhuma surpresa.



Ouço do bar defronte

O batuque sobre a mesa.

Desafios desafinados

De uma penca de vozes

A uma solitária viola.



Há tempos larguei

Meu agnus dei.

A fé não mais me consola.



Rezo ao rock,

Ao blues,

Ao samba,

Ao reggae,

Jogo búzios e bola.



Conforta-me um DVD de Montreaux

E um copo da água

Mineral de Moscow,

Gelatinosa e sem gás.



E o que eu quero tanto?

Tanto faz.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Infância Roubada


O menino de ontem traz no rosto,
Tatuado, um sorriso
Como se sorrir fosse como respirar
Um movimento involuntário,
Inadiável e preciso.

A apnéia revela em seus olhos
Sombras de um presente roubado,
Vislumbrado ao longe.
O menino de hoje tem os sentidos anestesiados.
Talvez por isso pareça
Ter a paciência de um monge

Os meninos de ontem e de hoje
Por vezes brigam como irmãos,
Culpam-se, choram de vergonha
Enquanto escondem os rostos
Nas palmas das mãos.

Cada ser humano é um microcosmo
Revestido com a frieza
Das entranhas das suas próprias tragédias.
Ingresso que não dá direito a matar
Ou por vontade própria, morrer.
No máximo é a obrigação
De abrir os olhos todos os dias
Enquanto o coração bater,
Levando no fundo da carteira
Uma desculpa para sofrer.

Descomunal é a injustiça
De terem os meninos esse fardo
Quando, ao invés do ladrão,
São eles os condenados.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

As rosas poéticas (Alexandre Damasceno)

“- Cuidado para não sujar a roupa!”

 Eu parecia escutar em meus ouvidos a voz de minha mãe. Todas as manhãs ela espantava minha sonolência com um beijo e um afago na cabeça. Do alto dos meus oito anos eu não lembrava como era a vida antes daquilo. Pensando bem, talvez não houvesse mesmo vida antes. Fui até o banheiro escovar os dentes e tomar banho para vestir o uniforme da escola, enquanto mamãe punha o café na mesa. Éramos nós dois e meu vô. Papai morrera, acometido de tuberculose, quando eu ainda era um bebê. Meu avô morava conosco desde quando eu me lembrava. Saí do banheiro para cumprir a deliciosa rotina das manhãs. Sentei à mesa com as duas pessoas que eu mais amava no mundo. Minha mãe olhava para mim e sorria, esperando a pergunta. Eu me aprumava na cadeira, e deixava transbordar através dos olhos todo o entusiasmo:

 “- Vô, e então? Qual é a de hoje?”

 Vovô abria seu mais franco sorriso, inclinava-se na minha direção, deixando sua voz mansa preencher calmamente todo o ambiente:

 “- Vivi muitas vidas,
 Conheci terras
 Em eras distantes no tempo
 Mas meu amor era um só
 Alcançava-me como o vento
 E, em redemoinho,
 Fazia a poeira da saudade levantar.
 Acariciava-me a face Sussurrando meu nome.
 E eu sabia: Tinha que voltar.”

 Seus olhos então refletiam os meus, enquanto eu pulava e aplaudia, quase derrubando a mesa do café para desespero de minha mãe.

 “-Vovô! Eu queria escrever igual a você!”

 E ele dizia, sorrindo:

 “- Você vai, meu neto. Se o amor no seu coração for grande o bastante.”

 Eu ria. Amava muito os dois, mas não sabia como algum dia poderia escrever daquela maneira. Todos os dias uma poesia diferente? Não, definitivamente eu não conseguiria. Ainda pensava nos acontecimentos daquela manhã enquanto chutava as poças d’água a caminho de casa na volta da aula. Passei pelo portão e vi minha mãe parada à porta, no final do corredor. Olhei para mim mesmo: o uniforme estava em um estado lastimável, depois da chuva e do futebol com os colegas. Preparei-me para a bronca enquanto aproximava-me da entrada da cozinha. Parei na frente da minha mãe, de cabeça baixa, esperando. Nada de palavras, apenas um soluço sufocado. Ergui minha cabeça até meus olhos encontrarem os dela. Pareciam transbordar. Mamãe me abraçou. Senti meu coração esmagar-se no peito e só consegui balbuciar uma palavra em forma de pergunta:

 “- Vo-vô?”

 Mamãe ajoelhou-se na minha frente. Segurou-me pelos ombros e tentou parecer o mais calma possível:

 “-Vai ficar tudo bem. Ele passou mal e foi levado para o hospital.”

 Fiquei parado onde estava. Não conseguia me mexer. Tinha medo de perguntar alguma coisa e obter respostas que não queria ouvir. Em silêncio, mamãe levou-me para dentro. A mesa do almoço já estava pronta, mas, para mim, parecia que não. Faltava algo. Faltava alguém. Tomei banho e sentei-me à mesa, achando tudo muito estranho, quase surreal. Não lembro o que comi, apenas da pressa em acabar. Precisava ir ao hospital. Senti a relutância em minha mãe, mas ela não tentou dissuadir-me da idéia.

 Chegamos ao hospital quando ainda faltavam cinco minutos para o início do período de visitas. Foram os mais longos cinco minutos da minha vida. Meu coração parecia demorar uma eternidade entre uma batida e outra. Fomos direto à enfermaria. Era um lugar grande, cheio de camas, todas com pessoas em cima. Minha mãe pedia licença e me levava pela mão. Algumas pessoas conversavam com os doentes, alguns sorriam. Outros choravam ou simplesmente ficavam em silêncio. Eu via as camas passando por mim até que, no final da enfermaria, vislumbrei algo conhecido. Pendurado na cadeira estava o casaco do meu avô. Era seu preferido, tinha sido feito pela minha avó. Ao lado da cadeira tinha uma cama, com uma pessoa deitada cheia de fios e tubos. Era meu avô. Minha mãe levantou-me para que eu pudesse vê-lo. Sua fisionomia parecia tranqüila, por baixo de todas aquelas coisas. Comecei a chorar. 

 “- Chora não, filho.” – a voz era calma como sempre. Vovô havia aberto os olhos e esboçava seu sorriso para mim. Esticou a mão para mim. Havia algo preso nela, com um tubo em uma espécie de pedestal de onde pingavam gotas de um líquido parecido com água. 

 “- Vamos para casa, vô!” – choraminguei. Ele respirou fundo e tentou sorrir novamente:

 “- Agora não. Vovô precisa descansar. Mas antes quero que você faça uma coisa para mim...”

 Virou-se para minha mãe:

 “- Deixe-me falar com ele um instante.”

 Mamãe puxou a cadeira para perto da cama e colocou-me em pé. Debrucei-me sobre meu avô enquanto ela se afastava. Vovô então me disse: 

“- Chegou a hora de eu te contar um segredo. Mas você tem que prometer que vai guardá-lo consigo até a hora certa.” 

“- E quando será a hora certa, vô?” - perguntei. 

“- Você vai saber.“ – ele respondeu. Respirou fundo novamente, como se quisesse buscar todo o ar do mundo e guardá-lo para si. E continuou:

 “- Você se lembra da rosa?” – perguntou, tossindo em seguida. Pensei no pequeno vaso com uma rosa, que sempre ficava no parapeito da janela do quarto do meu avô. 

 “- Lembro sim.” – respondi. Ele esperou um pouco e continuou:

 “- Vou te contar a história da rosa. Quando conheci sua avó nós dois éramos muito jovens...”

 “- Iguais a mim?” - Interrompi. Vovô quase se engasgou com a risada.

 “- Não, não! Nem tanto. Eu tinha vinte anos e sua avó dezoito. Namoramos durante muito tempo até nos casarmos. Mas essa é uma longa história...”

 Pigarreou e prosseguiu: 

“- Nós ficamos juntos a vida inteira. De nosso amor nasceu sua mãe. Você ainda era muito pequeno quando sua avó morreu. Lembra quando eu comecei a falar poesias para você?”

 Balancei a cabeça negativamente. Ele assentiu: 

“- Eu desconfiava. No dia em que sua avó morreu, eu fiquei perdido. Entrei em desespero, não sabia como conseguiria viver dali para adiante. Estava sozinho no quarto e em algum momento perdi os sentidos, desmaiei. Sonhei com a sua avó. Ela parecia linda e radiante como sempre. Perguntava-me o motivo do desespero. Eu respondi que não conseguiria viver sem ela. Com um sorriso aberto, disse-me que nunca sairia do meu lado se meu amor fosse grande o bastante...”

 “- Como?” – perguntei. “- Foi o que perguntei também.” – disse.

 E continuou:

 “- Ela disse para eu olhar na janela. Haveria uma rosa vermelha que deveria ser regada com amor todos os dias para não morrer.” 

“- Regada com amor.” – repeti, mecanicamente, enquanto meus olhos vagavam no vazio. Ele percebeu que eu tinha entendido.

 “- Agora você sabe o que precisa fazer.”

 Fiquei apavorado: 

 “- Mas não, vô! Eu não sei fazer isso! Você vai voltar pra casa, pode continuar fazendo!” – disse. Ele olhou para mim, parecendo achar graça do meu desespero:

 “- Você me ama?” – perguntou calmamente.

 “- Com todo o meu coração!” – respondi. 

“- Então, não tenha medo, você vai conseguir. Eu nunca estarei longe de você.”

 Senti sua mão ficar fraca. Seus olhos fecharam e ouvi minha mãe soluçar atrás de mim. Gritei seu nome, mas ele não me respondia mais. Vi um homem alto, vestido de branco, conversando com mamãe. Ela limpou os olhos com as costas das mãos e me abraçou forte. Senti seu corpo estremecer. Ficamos assim por alguns minutos.

 Despedimo-nos do vovô em um belo campo florido. Muitos amigos estavam presentes, cantando músicas que ele gostava. Por mas estranho que pudesse parecer senti-o presente. E feliz. Por um momento pensei em escutar sua voz, falando poesias.

 Ao voltar para casa, tudo me parecia amplo e vazio. O silêncio parecia esconder-se pelos cantos, esgueirando-se por detrás dos móveis no meu encalço. Minha mãe foi para o quarto descansar um pouco. Tentei ficar na sala, depois no meu quarto, no banheiro, na cozinha... Por todos os cantos da casa o vazio me perseguia. Vi a porta do quarto do meu avô entreaberta. Por um momento, achei que era só empurrá-la e dar de cara com ele, sentado na cadeira ao lado da cama, escrevendo em seu livro de anotações. Entrei no quarto vazio. Estranhamente, o silêncio não me fez companhia. Pelo contrário, sentia algo elétrico no ar. Lembrei-me da rosa. Fui até a janela e, para minha surpresa, não havia apenas uma rosa no vaso. Ao seu lado, brotara um pequeno botão, ainda fechado. Corri para a cozinha e busquei um copo de água. Quando derramei um pouco sobre o vaso aconteceu algo que me fez prender a respiração: as pétalas da rosa e do botão esmaeceram suas cores e os caules torceram-se como se sentissem dor. Parei imediatamente. Andava de um lado para outro do quarto, com as mãos na cabeça. Não podia deixar as rosas morrerem. Não podia decepcionar meu avô. Sentei na cama e chorei de desespero até adormecer. Já era manhã novamente quando abri os olhos. Ao meu lado estava o caderno de anotações e um lápis, os quais eu não notara antes. Folheei e reconheci as palavras. Eram as poesias que meu avô falava para mim todas as manhãs. Restavam algumas folhas em branco. Peguei-me olhando para uma delas e pensando nos momentos que passamos juntos. Instintivamente, agarrei o lápis e comecei a rabiscar palavras: 

“O menino quer aprender a escrever 
Contar histórias como você 
Transformar seu amor em palavras 
Para que, um dia, todos possam ler.” 

 Quando olhei para a janela, o botão novo desabrochara e as cores esmaecidas já tinham abandonado as rosas. Minha mãe abriu a porta: 

“- Você estava dormindo tão profundamente que tive pena de acordar. Venha, o café está na mesa.” – chamou.

 Sentei à mesa com o caderno debaixo do braço. Os olhos tristes de minha mãe fitaram-me por um breve instante:

 “- Sei que é estranho estarmos aqui sem ele, mas...”

 Não a deixei concluir:

 “- Ele está aqui, mãe.” – eu disse, abrindo o livro. Quando terminei de ler minha primeira pequena poesia o rosto de minha mãe iluminou-se. Ela me abraçou, sorrindo e chorando ao mesmo tempo.

 “- Foi lindo, filho. Seu avô deve estar orgulhoso.” 

 Eu tinha certeza de que ele estava.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Tormenta

Vai meu coração
Como um avião sem asas,
Um botão sem casa
Solto no mundo.
Vai ao raso,
Mergulha fundo,
Suando em bicas.
Se acaba nos braços,
Pelo tempo de um pulsar.
Meu navio atraco
Sem ter a noção
De ser eu a embarcação
Cargueira das emoções.
O ponto fraco
De minhas amarras
É a madeira gasta do porto,
Capaz de me segurar
Apenas enquanto o mar
Faz-se de morto.
Pareceu me escutar:
A marola tira-me do prumo,
Na espera da borrasca.
O vento chega.
Não sopra segredos:
Grita impropérios
Enquanto despedaça as velas
Com seus dedos etéreos.
Eu vejo meus medos
Dançarem pelo convés,
Zombando do meu olhar mareado.
Cospem em meu rosto
Chuva com gosto amargo.
Adormeço à deriva.
O calendário devora os dias,
As horas escorrem-lhe
Pelos cantos da boca.
Momentos, migalhas,
Segundos espalhados
Sobre a mesa tosca,
Sobrevoados por um pequeno
Esquadrão de moscas
Zunindo no meu despertar.
O sol se opõe ao mar revolto,
Transforma os vagalhões
Em uma carranca de bronze.
Escuto as gaivotas na calmaria...
É.
Hoje é outro dia.

terça-feira, 5 de julho de 2011

A Palavra Castrada

Ancorei minhas verdades

Em um porto de metáforas,

Enquanto partia meu coração

Em uma prosopopéica odisséia

De pleonasmos múltiplos

Que se contorciam,

Emaranhavam-se,

Esfregavam-se,

Entregavam-se em uma orgia de línguas estranhas,

A revirar suas entranhas

Na tentativa de extrair esperança

Dum um último suspiro,

A derradeira concordância.

Viro quase uma preposição,

Sem disposição

Para qualquer posicionamento.

Uma voz passiva,

Quase muda

Sussurra imperativos obscenos,

Paulatinamente embuçados

Pelo véu das palavras não ditas,

Dos verbos não conjugados.

Só resta o ponto final,

Impotente,

Essa exclamação sem pau

Que não leva nada aos “finalmentes”.

sábado, 2 de julho de 2011

No avião (01/07/2011, em algum lugar entre DF e RJ)


Descortinei as pálpebras momentos após as rodas deixarem o chão...


Através da diminuta janela, saltou a escuridão dos meus olhos para o mundo,


Um abismo com pequenos pontos luminosos no fundo.


Parecia o céu ao contrário,


Um corolário de estrelas.


Se eu procurasse por Deus lá fora poderia jurar que Ele estava lá embaixo, em um reino qualquer.


Mas encontro mesmo Deus é em mim, num vôo solo pelo céu da minha boca.


Coisa louca isso de perder o olhar ao longe, como se existisse um criador que da criatura se esconde.


A criatura que o procura erguendo as mãos para o alto parece não saber o que procurar.


Deus está no DNA.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Encomenda para você (Alexandre Damasceno. DF 30062011)

A idade veio bater em minha porta.
Estendeu-me um grande embrulho
Com papel pra lá de desbotado.
Procurava o velho,
Dono da casa.
Respondi, de forma educada:
“- A senhora dever ter se enganado.
Eu sou o proprietário e, como bem pode
Ver, minha idade nada tem
De avançada.”
Seus olhos fitaram os meus por um breve instante:
“- Desculpe-me o engano, meu jovem.
Porém, não obstante o equívoco da
Expedição de encomendas,
Acredito haver aqui algo seu.”
- Disse, oferecendo-me seu melhor sorriso
E um pequeno pacote cor de breu.
Tinha meu nome na etiqueta.
Reconheci a datilografia.
Quem usa máquina de escrever hoje em dia?
Na ânsia curiosa de conhecer o conteúdo, rasguei o papel.
Seus pedaços flutuavam ao meu redor
Por tudo quanto era lugar aonde chegava o ar.
Espantado com a arrumação,
Aquietei-me, esperando que a poeira baixasse.
Os retalhos continuaram a circundar-me
Como um grande tubarão.
Então percebi:
Cada pedaço rasgado
Era um retalho do meu passado.
Eu via imagens e sentimentos dançando à minha volta!
Sons, cheiros, cores,
Amores e decepções,
Felicidade e Revolta.
Riso e lágrimas alternavam-se de braços dados,
Rodopiando tal qual quadrilha em festa de São João
Quando as lembranças finalmente
Cessaram de brincar,
Fugindo das minhas mãos,
Deixei-me cair no chão frio.
Enquanto o silêncio sacudia minha alma
Como uma rajada de tiros dentro d’água,
Usei o dorso das mãos
Para secar a face.
Estranhei sentir ranhuras na minha pele.
Levantei e fui até o espelho do banheiro
- Demorei mais que de costume.
Parecia estar em uma montanha
Tentando alcançar o cume.
Vi um reflexo.
Era um tanto quanto
Sem nexo:
Parecia comigo
Mas, onde passaram lágrimas sorrisos
Existiam vincos,
Pequenas cordilheiras erodidas no rosto.
Sorri, e um sorriso tosco
Brotou no canto da boca da face que me encarava
Aturdido, apoiei-me na aldrava para voltar ao quarto
Estava tudo limpo e arrumado.
Sobre a cama,
Apenas um grande embrulho
Com papel pra lá de desbotado.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

MEC – Minixtério da Educassão e Cutura


Há algum tempo atrás eu escrevi aqui no blog sobre o analfabetismo funcional, certo? Errado! O uso de “Há algum tempo” dispensa o redundante emprego da palavra “atrás”. Ou será que não? Ao que parece, o MEC está querendo mesmo é dispensar o uso de professores. Seguindo o exemplo do monstro criado pela omissão do governo em avaliar os estudantes (que produziu aberrações como crianças analfabetas cursando a quinta série), outra ameaça paira sobre a educação no Brasil: Uma corrente de pseudo-intelectuais defende, em livros chancelados e distribuídos pelo MEC, os mais absurdos “conceitos”. Em matéria intitulada “Os adversários do bom português” publicada pela revista Veja, edição 2218, as repórteres Renata Betti e Roberta de Abreu Lima revelam trechos dos livros didáticos nos quais os estudantes são encorajados a falar errado. Pérolas como “Você pode estar se perguntando: Mas eu posso falar ‘os livro’? Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação você corre o risco de ser vítima de preconceito lingüístico...”. Em um sistema lógico, tudo começa pelo ensino. É o ponto de partida para a formação de cidadãos conscientes e profissionais qualificados. Essa equação atrai o desenvolvimento social, cultural e econômico. No caso do Brasil, parece um bullying cultural (usando a palavra da moda para justificar a conduta de sociopatas e a incompetência dos pais): O vernáculo pode ser maltratado à vontade, mas as crianças não podem ser traumatizadas com reprovações ou mesmo correções. Ok, deixemos as crianças crescerem e então terem idade suficiente para serem ridicularizadas em entrevistas de empregos, concursos, vestibulares ou em uma simples comparação com os níveis culturais dos nossos vizinhos “menos desenvolvidos”, aqui mesmo na América do Sul. Quem ganha com isso? Fácil: Alguém que precisa de eleitores iletrados.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O avesso (Alexandre Damasceno)

Se todo o meu tempo


No mundo


Fosse pra você


E todos meus pensamentos


Tivesse que te dizer


Meus mais profundos segredos


Meus medos


Seriam, num estalar de dedos,


Seus;


E eu


Não seria


Mais eu.


Por isso bata na porta,


Toque a campainha


Quando quiser entrar;


Pois a alma


É uma casinha


Onde só uma pessoa


Pode morar.


Não queira domar


Meu desejo,


Me comprar com um beijo


Ou me vender,


Me trocar;


Como aquela roupa


Que, no provador,


Você jurou gostar.


Eu te vi pelo espelho


E minha pele lhe caía bem,


Mas o que ela vale


Nem você,


Nem ninguém tem.


É foda:


Por isso hoje estou fora de moda.


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Cantar é um barato...


Uma festa de aniversário.
Duas aniversariantes, mãe e filha.
Traje brega chique
Duas bandas
Um monte de malucos no palco
Outro montão na platéia
Esses ingredientes fizeram uma noite inesquecível.



quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Cai o pano.


Lentamente fecham-se as cortinas



Enquanto desce as escadas,



Dissolvendo-se na escuridão rumo à coxia.



Uma breve pausa no caminho



Para lançar o olhar cansado sobre os ombros



Como a tentar alcançar um passado, recente,



Mas, inapelavelmente passado.



Cai uma lágrima,



Enquanto aperta contra o peito



A bolsa de couro rústico,



Sua herança de memórias,



Alegrias, tristezas e tudo mais



A que se permitem os humanos.



A cortina abre-se novamente



E a claridade explode em sons,



Sinos e cânticos, estilhaçando-se



Em cores, cheiros e sabores de festa,



Empurrando-o de vez para os bastidores.



É o que resta:



Tempo de descansar.



É hora de deixar outro ano brilhar.






Feliz 2011 para todos!!!! Que vocês sejam felizes, compreendendo que isso nem sempre significa a realização de todos os desejos. Tem um 'cara' que sabe melhor do que nós qual caminho devemos seguir. É só confiar nele...

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Desejo antigo.


Descanse em paz.






No Regrets


Eu não quero ter mais tempo

Não quero ter tido ou dito

Mais ou menos de nada

Não contabilizo momentos

Não coloco em uma despensa

Potes com sentimentos.


Minha vida não tem retrovisor

Para as lamentações

Desilusões e dor.

Às vezes, apenas repasso as ruas

Por onde fui feliz:

Por elas tenho apreço.

Sigo depois, sem mais,

Para um novo endereço.


Não coloco preço no meu sucesso,

Não peço milagres,

Minha fé melhor não é

Que a de ninguém,

Não sou quem diz

As maiores verdades

Ou guardo os piores segredos.

Não dou ouvidos

A todos que me chamam.

Tenho medo de ser esquecido,

Mas apenas pelos que me amam.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A poesia perdida (SP 28/03/2010).


Em um quarto de hotel,

As coisas espalhadas.

O copo vazio

- Não meio cheio.

E eu tentando juntar-me.

Celular, ipod, laptop conectados

Eu não:

Umplugged do mundo,

Olho o céu escuro de São Paulo.

São nove horas no oitavo andar.

Ponho-me a perambular,

Ir, voltar e batucar nas teclas

O som das idéias tentando fugir.

Capturo algumas.

Outras realmente se perdem,

Como a de hoje, na sala de embarque.

Era linda,

Mas eu não registrei,

Não a sussurrei no gravador do celular

Não fiz nenhuma mísera anotação,

Sequer um garrancho

Em um pedaço amassado de papel.

E agora ela está irremediavelmente perdida

Como a luz no escuro desse céu.

Eu a perdi como se perdem

Todos os possíveis grandes amores:

Não disse que a queria,

O quanto era importante para mim,

Quanto significado carregava

Em suas poucas palavras,

Em sua efêmera história.

Definitivamente,

Meu coração odeia minha memória.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Crime e castigo

As coisas feitas em nome da poesia?

Cometemos verdadeiras atrocidades

Casando palavras inconciliáveis

“– Todas as tardes esperava-te... E escrevia-lhe como se noite fosse por dias
incontáveis...”

Percebestes o absurdo?

Tento deter a caneta

Ao incontrolável desejo de escrever algo terminado em... MUDO!

Sou dos criminosos confessos:

Rimo amor com dor,

Alegria e apatia,

Rimo a moça bela, à luz da vela

Debruçada sobre o peitoril da janela

Na casa pequena de portas amarelas.

Mas há dias nos quais rimo nada,

Apenas idéias sem eira nem beira,

Palavras sem parentesco explícito,

(Talvez com um DNA...)

Nuvens nubladas por suas irmãs,

Reunidas mais perto do chão,

Dão-me a sensação de estar prestes a me molhar.

Odeio guarda-chuvas!

Sinto-me um idiota de cabelos secos

Encharcado do pescoço para baixo

Por uma zombeteira ventania.

As hastes finalmente dobram-se

À força do vento,

Os sinos da igreja também dobram

Como a rirem-se de mim.

Comecei arretado, acreditando-me um verdadeiro repentista,

Por fim pode ser até merecido, o resfriado.



segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Nem sempre é possível rimar poesia com alegria.


O ruim de ser uma pessoa inquieta

É sentir-se profundamente desconfortável

Com a própria zona de conforto.

É ser um navio sem âncora,

Sem porto.

É o eterno balançar das pernas,

Bambas por não saberem esperar.

É o respirar curto e apressado

No qual o ar nem bem é saboreado

Pelas árvores alveolares no peito.

É um pleito pelos momentos novos

Quando estes nem velhos ficaram ainda.

Quando, nem finda tarde,

Quero lua,

Quero sol,

Quero viver com uma pressa de escrever,

De cantar,

De dançar,

De correr,

De amar.

Uma pressa que não é minha,

E talvez por isso apresse-me em passá-la adiante.

Tenho esperança de que a idade

Vá mandando a ansiedade embora.

Mas ela já está chegando,

Sem hora, mas com rugas marcadas.

E eu continuo perdendo a razão

Para o medo de perder tempo.

A insanidade de ser feliz com todos

E triste consigo mesmo.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Enfim, um dia. (DF, 29062010)


Acordei velho.


Ontem não era.


Trocaram-me, dormindo,


Por esse corpo enrugado


Que me olha do espelho,


Nu, sem pêlo.


Sinto as gengivas baterem


No mesmo ritmo do frio


A maltratar minhas juntas.


Arrasto os pés pelo chão gelado


Até perto da cama.


Visto um pijama de flanela


Enquanto vejo, pela janela,


O jovem que eu era


Desaparecendo no final da rua.


Com as mãos trêmulas,


Pego papel e caneta


E vou até a escrivaninha.


Debruço-me sobre a folha.


Ela espera-me como uma virgem,


Pálida.


Nada.


Estou impotente ante seus apelos.


Da minha cabeça


Não brotam mais palavras,


Apenas caem ralos fios de cabelo.



Despedida (DF, 29062010)


Vou embora.


Já estou atrasado para rir de tudo,


Jogar fora as fotos


Que ora tomam espaço sobre o criado-mudo.


Não faço a mínima questão de ocupar


Minhas memórias com suas máximas.


Tenho pás ao invés de mãos,


E um coração livre de arrependimentos.


E isso é tudo que preciso para enterrar nossos momentos


Nas covas de seu falso sorriso.


Dedicar-te-ei estas últimas linhas


Apenas para dizer que, de você,


A ausência é o maior presente.


Não há mais gestos cujos gastos justifiquem-se.


Nada sobrou: Nem pena, tampouco pedras,


Qualquer saudade,


Ou mesmo um pingo sequer de maldade.


Sei que não será fácil,


Mas aceite estas palavras minhas.


Elas são a verdade que falta


Entre as breves linhas do seu epitáfio.



segunda-feira, 28 de junho de 2010

A verdade sobre as crianças


Quando era criança,


Tinha tempo para ver o tempo passar


Era brincadeira o sol,


O sal,


O céu,


O mar.


O projeto que hoje a vida permeia


Era apenas um belo,


Singelo castelo nas brancas areias do Grumari.


O, hoje, cidadão,


Um guri de cabelos desgrenhados


Com balde e pá nas mãos,


Acompanhando o movimento ritmado


Dos ventos e das marés


Com os pés dentro d’água,


Sem mágoas cheias ou vazantes,


Passado em fotos nas cabeceiras,


Paredes, estantes.


As crianças não são


Simples seres humanos.


Vejo-as brincar intimamente


Com as belezas do mundo


E aquele instante


Parece durar eternamente.


Vejo meu reflexo


Naqueles olhos sempre atentos:


Os olhos das verdadeiras donas do tempo.


domingo, 9 de maio de 2010

Uma linda propaganda

Isso é o que acontece quando a excelência da direção e o talento dos atores encontra a química perfeita. É uma das mais belos VTs que já vi. Parabéns ao Marketing da GM e sua agência de propaganda.


video

domingo, 2 de maio de 2010

Enquanto a chuva não vem




Em 7/4/2010, de Tamandaré - PE



Minha alma chora

Vejo o Rio de Janeiro

Esvaindo-se na água barrenta,

Nas lágrimas,

Nos gritos

Dos que não mais agüentam

A rotina de desenterrar casas

E enterrar pessoas.



Eu vejo as imagens na TV na distante segurança de um ensolarado dia de férias. Sinto-me terrivelmente culpado. Lembro do dia em que minha casa foi levemente invadida pela água. Na ocasião, nada se perdeu. Mesmo assim, era terrível a impotência de ver a água subindo. Escuto os locutores dos telejornais declararem ser a pior chuva dos últimos quarenta anos na cidade. Já presenciei algumas bem ruins também. Assisto as imagens das pessoas desesperadas e revoltadas. Revoltadas com os céus e com o governador, esse último por ter jogado a culpa das mortes nos próprios moradores das áreas de risco. Revoltante? Revoltante e injusto. A culpa não é só deles. As chuvas tendem a piorar, dadas as alterações climáticas provocadas por nós mesmos, no mundo inteiro. As enchentes também, pela maneira como emporcalhamos as cidades, entupindo os bueiros quando precisamos deles. Por isso me sinto culpado. Somos um bando de irresponsáveis cobrando responsabilidade. É triste contabilizarmos os mortos, mas não pensamos neles quando jogamos fora os sacos e garrafas plásticas sem nos importarmos para onde irão. Se forem formar uma ilha de sujeira no meio do oceano, aonde nunca iremos, tudo bem. O problema é quando resolvem nos acordar no meio da noite.


domingo, 14 de março de 2010

O Crupiê de Lembranças (DF 14/03/2010)


Passaram por mim

As priscas eras

E primaveris infernais outonos.

Ao abandono das folhas

Deixavam-me as caras companhias

Como os copos quebrados

Saudadeavam a cristaleira vazia,

De onde São Francisco

Tudo assistia.

Um olhar de barro

Sobre a poeira das ausências.

Os remédios sobre a cômoda

Dão-me a incômoda sensação

De estar trapaceando.

Ainda ando, trôpego,

Tropeçando nos degraus

Dos portais,

Os quais só notei

Depois dos setenta e muitos anos.

Ou mais.

Meu olhar embaçado

Tenta distinguir em fotos velhas

Os traços finos,

Idos da época em que o cristalino

Ainda não havia me traído.

Pergunto a Deus,

Aos anjos e santos

O que fiz para merecer isso.

O que fiz para viver tanto?

Não quero mais

Fazer parte da história.

Antes, jogava cartas.

Hoje apenas embaralho memórias.



quarta-feira, 3 de março de 2010

De volta à ativa...



A poesia é de quem lê (DF, 02/03/2010)


Já andei por becos,


Bocas, línguas e dedos;


Arranquei suspiros,


Gemidos,


Apelos;


Atraí olhares


De faces distintas;


Sorvi lágrimas servidas


Em meu já servido papel.


Entendi quem errou


Tentando me entender,


Pois eu mesmo já não consigo


Decifrar as linhas,


Outrora minhas,


Agora tão seqüestradas


Por outros sentidos.


É tarde:


Pouco importa o que eu queria dizer


De nada interessa no quê acredito.


A poesia só era minha


Enquanto não a havia escrito.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Mais música...

Farra depois do trabalho...

Guitarras: Sandro e Thales

Baixo: Marcelo

Bateria: Plínio

Teclado: Gustavo

Vocal: Alexandre

Filmagem, água, cerveja: JP (o pai do Thales)


New Year's Day - U2

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Like a Stone - Audioslave

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Diversão/Comida - Titãs

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domingo, 20 de dezembro de 2009

Milhares de sambas

Calma, é só um! Cantado pela Ana Carolina no original. Estragado por mim, em particular, hehehe.

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O rock é um risco...

Hi! Depois de longo e tenebroso inverno, volto a postar. Desta vez, não é poesia. Pelo menos, não escrita. A galera do trabalho resolveu reeditar o festival de talentos que começou antes de eu chegar por aqui, o inimitável "Rock In Risco". Juntamos colegas, filhos de colegas, amigos de filhos de colegas, enfim, quem não tivesse vergonha de fazer bagunça. Esse é um pedacinho... Como eu me diverti! Com vocês... Rock In Risco 2009!!!


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terça-feira, 4 de agosto de 2009

Obrigado por ter te conhecido.

Há momentos onde a morte parece nos assaltar por todos os lados
Como um batalhão armado com spray de pimenta
Tornando a visão curta, avermelhada, lacrimosa
Na tarde cinzenta em que lamentamos por nós.
Apelamos ao Cristo, à Buda, à Oxalá
Ou seja lá qual fé seja
- Uns preferem cachaça, outros cerveja.

Apelamos ao cinismo, ao misticismo,
Mas nosso choro não é por quem está lá deitado.
É a combustão do egoísmo com nossa saudade medrosa,
Aquele nó na garganta por ficarmos mais um pouquinho sós.
É quando vemos nosso mundo,
Uma turma cada vez menor.

Parece complicado,
Mas não há mistério.
Em um cemitério as coisas parecem estrondosamente simples.
Enquanto os soluços e as vozes embargadas atrapalham seu silêncio loquaz,
O corpo de mãos entrelaçadas e fisionomia tranquila
É na verdade a única pessoa em paz.

Ela luzia por onde fosse.
Luzia pela vida,
Iluminando nossos dias com sua voz doce,
Com seu humor sempre disposto
A acender sorrisos em nossos rostos.
Sua luz não se apagou!
Podem dizer isso ao povo.
Basta fecharmos os olhos
E ela se acenderá de novo.
Portanto, não compete nesse caso uma perda
Cuja tristeza se faça jus.
Para mim, não houve morte.
Luzinete, enfim, virou LUZ.

*Leve nessa viagem todo o meu amor.

sábado, 21 de março de 2009

Niemeyer e Bento XVI. E depois sou eu que falo besteira...

  • Os mais velhos primeiro

Sou carioca de nascimento e coração. Apesar de todas as críticas à minha maravilhosa cidade (infelizmente, por culpa da omissão do poder público, 90 % verdadeiras), levo o orgulho de ser carioca para onde eu vá. Mas vivo no DF e, confesso, aprendi a gostar muito daqui. Quanto se fala da capital positivamente, uma das primeiras pessoas a ser lembrada é Oscar Niemeyer. Niemeyer não é apenas um cidadão brasileiro. É um patrimônio mundial. Obviamente (pelo menos para mim), isso não significa minha anuência a todas as suas opiniões. Passo todos os dias pela via que corta o Plano Piloto de norte a sul. O chamado "eixão" (foto acima) tem seis pistas (três em cada sentido) e é dividido por uma área pouco mais larga do que um ônibus (aliás, os governantes utilizam muito bem o espaço para promover a entrega de veículos).  A "divisão da pista" é pintada em amarelo e com pequenos refletores (olhos-de-gato). Vi na TV uma reportagem onde nosso arquiteto-mor criticava, classificando como "idiotice" a sugestão de colocar uma divisória na pista. Para ser franco, quando passei pela primeira vez pelo eixão, não pude deixar de pensar como alguém pode ser tão irresponsável ao ponto de não considerar a hipótese de um motorista perder a direção e invadir a pista no sentido contrário. Isso já aconteceu. E também vários atropelamentos (mesmo com a velocidade limitada a 80 Km, parece o antigo videogame das galinhas atravessando a rua. Na última semana um colega de trabalho atropelou uma pedestre. Para sorte dos dois, nada grave). Tentaram colocar um muro, ou um canteiro (que também não adiantaria muito, mas vá lá...) e Niemeyer foi contra, pois feria a beleza do projeto. Acho que ele esqueceu de uma coisa: O desenho é dele, e se alguém resolver meter a caneta e rabiscar ele tem todo o direito de não gostar. Mas as pessoas não vivem em um desenho. A partir do momento em que uma cidade sai do papel, os interesses a serem considerados são os da população. Por quanto tempo mais o governo vai por em risco a segurança dos cidadãos para não desagradar Oscar Niemeyer? Querem uma solução? Coloquem um muro de três metros de espessura, feito de material transparente! O Niemeyer não mora no DF. Não precisa passar pelo eixão. Acredito que os familiares dele também não. Deve ser por isso que ele continua tratando a cidade como sua maquete. 


  • Agora, o Papa...

O Papa Bento XVI chegou à África, o país mais devastado pelo HIV no mundo, e, em sua primeira declaração, condenou o uso da camisinha. Minha mãe que me desculpe mas é esse tipo de hipocrisia e imbecilidade que faz a igreja católica perder fiéis. Desde pequeno eu me pergunto:  Como os padres podem saber tanto sobre casamento se eles não se casam? E como ser tão hipócrita ajuda? Pregar o celibato? Que celibato? Depois dos escândalos de pedofilia? Isso, para mim, não é fé. A fé, no meu humilde entender, deve fazer-nos enxergar melhor. Essa outra, pelo contrário, só cega o povo.